segunda-feira, 3 de junho de 2013

Admiro o sofrer...


Sou o pingo que insisti em cair
mesmo com o cessar da chuva
Sou curva que em nada chega,
linha reta da incerteza
Sou abraço preguiçoso,
ansioso em receber
Sou o ter invisível,
indisponível querer

Tenho em mim manhãs
de noites mal dormidas
Investidas no nada
em inventadas palavras de amor
Tenho a dor em meus caminhos
Desalinho constante
como um troféu em uma estante
Admiro o sofrer

Sou calma menina sem brilho nos olhos
sempre a procura do que procurar
Se amarro ou se solto
Amarroto,
fingindo não ver o que  foi
Insistindo em encontrar

Em mim saudades
que não passam
ultrapassam
me enlaçam no passado

Há cuidado
exagerado
encostado
ali guardado

Onde escondo
 o que em mim
 não encontro

Num lugar que não sei como chamar.


Milene Cristina


3 comentários:

  1. Majestosos os teus versos.. versos soltos e bem construidos que eu ainda não consegui fazer pq sou doente por rimas .. tu tem uma maneira diferente de escrever.. uma linha complementa a outra e tudo vaii ganhando sentido até o final.... bjs e um lindo dia

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  2. Precioso. Encantoume o comezo, e especialmente estes dous versos: " Sou curva que em nada chega, linha reta da incerteza"

    Esa contraditoria imaxe pareceume sublime.

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