domingo, 14 de outubro de 2018

Palavra

Olho a palavra
Olhar Relapso
Olhar Desprezo

Ela difusa
abusa de loucura
se cansa da passagem
da paisagem pesada do tempo
àquele ás oito
que grita e ri
descaradamente
diz - se aflito
amoroso sorriso do não ser
o que faço ?
Reservo - me para o futuro
construo um ambiente claro
vigiando o armário e as roupas do amanhã ?
a palavra, mesmo ela
Não devolve - me a fome
o essencial
o sono normal
a dor não banal
sem respostas
Dá - me as costas
a mão
a boca
docemente no recomeço
um desejo de decifrar
o longe
o distante
essas
palavras
tão lon ga men te longas
Insisto ?
na palavra,
incógnita
indefinidamente minha mente
se revolta
e roda
e roda
e faz canção
Quer do meu corpo
definição
palavra essa
que ignoro
e não a quero
em minha mão.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

fragmentada

talvez seja a alma
que relute o colher das escolhas
embrulhos , e palavras não enviadas
o enjoo cresce com o nascer da noite
há um cheiro no ar de esperança descorada
a raiva rasteja por debaixo das roupas de frio
querendo se aquecer e sumir
não posso ver o agora
ele me dói, nada o disfarça
o aquieta,
ou retira seus olhos assustadores sobre mim
sombras desenham-me no silêncio.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Perguntas feitas sem almoço



Imagem por Milene Cristina


Disputa entre a alma e o corpo
vagarosa percepção do erro
Onde encontrar o céu que imagino
tantas vezes
no meu dia saudoso de algum desejo ?
As coisas estão mais vivas
que minha vontade
(Rouca alma, se aquiete em tua grandeza e entregue-me a paz)
Já não há encontros nas ruas sujas, onde a beleza estava
na pontualidade do sentir
O cansaço antecipa os finais,
todos eles , os finais,
têm a voz fraca das perguntas feitas sem almoço
O corpo seduzido
pela estação sem nome,
colhe a fome
e a solidão.

domingo, 27 de maio de 2018

do outro lado do mar

Vejo um passado na superfície
um romper qualquer de arrependimento

as janelas por aqui distanciam os vidros
Não posso tocá - los e sentir o que o sol deixou

Sozinha num outono a derreter - se
em todo fim de tarde
quando as pedras parecem mudar de lugar, e num verde me distraio  e sorrio por longos minutos

sim, está tudo em distração
as folhas no quintal, minhas mãos paradas sobre meus joelhos, meus cabelos se enrolando em minhas pernas

Me abraço sem condenação
lembro - me um pouco dele

Beijo - o
com o vento
a me alimentar

Posso seguir um pouco agora
do outro lado do mar se encontra
meu coração.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

*

Não saberás de mim
estou entre o poema
e o branco das coisas
aflita, mas silenciosa
permaneço com os olhos fixos
um desejo de passar por mim
e me reconhecer
merecer das mãos
um firme destino
hora vício
hora calma
minhas pernas cansadas
a atravessar apenas uma sensação
de rosas nas mãos
perfume
e
encontro
A saudade está em tudo que não está
no todo a rodopiar pelas janelas e portas
sem revelação
no entanto estou me consumindo
sem ir ou chegar
devolvendo aos outros claridade
que surge da verdade dessa escuridão.