segunda-feira, 23 de julho de 2018

Perguntas feitas sem almoço



Imagem por Milene Cristina


Disputa entre a alma e o corpo
vagarosa percepção do erro
Onde encontrar o céu que imagino
tantas vezes
no meu dia saudoso de algum desejo ?
As coisas estão mais vivas
que minha vontade
(Rouca alma, se aquiete em tua grandeza e entregue-me a paz)
Já não há encontros nas ruas sujas, onde a beleza estava
na pontualidade do sentir
O cansaço antecipa os finais,
todos eles , os finais,
têm a voz fraca das perguntas feitas sem almoço
O corpo seduzido
pela estação sem nome,
colhe a fome
e a solidão.

domingo, 27 de maio de 2018

do outro lado do mar

Vejo um passado na superfície
um romper qualquer de arrependimento

as janelas por aqui distanciam os vidros
Não posso tocá - los e sentir o que o sol deixou

Sozinha num outono a derreter - se
em todo fim de tarde
quando as pedras parecem mudar de lugar, e num verde me distraio  e sorrio por longos minutos

sim, está tudo em distração
as folhas no quintal, minhas mãos paradas sobre meus joelhos, meus cabelos se enrolando em minhas pernas

Me abraço sem condenação
lembro - me um pouco dele

Beijo - o
com o vento
a me alimentar

Posso seguir um pouco agora
do outro lado do mar se encontra
meu coração.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

*

Não saberás de mim
estou entre o poema
e o branco das coisas
aflita, mas silenciosa
permaneço com os olhos fixos
um desejo de passar por mim
e me reconhecer
merecer das mãos
um firme destino
hora vício
hora calma
minhas pernas cansadas
a atravessar apenas uma sensação
de rosas nas mãos
perfume
e
encontro
A saudade está em tudo que não está
no todo a rodopiar pelas janelas e portas
sem revelação
no entanto estou me consumindo
sem ir ou chegar
devolvendo aos outros claridade
que surge da verdade dessa escuridão.

sexta-feira, 16 de março de 2018

a esccrever

Fotografia por Milene Cristina



Sinto frio
o verbo se tornou vertiginoso
avistei uma porta azul
na crua manhã
nua
jaz quase por temor de afeto
corações
devemos insistir em pulsar
sonoro vermelho
somos razão e destino
a escrever
o que importa
as desimportantes distrações
sem horizonte?
meus poros pedem um norte
que refaz a morte de pouco a pouco
de cada dia
esse dia que nasce
e queremos viver
dourado
a cobrir nossas mentes cinzas
desbravar o peito com as próprias mãos


terça-feira, 13 de março de 2018

onde não posso chegar

poderia dizer aqui 
o verdadeiro nome 
da ilusão que me toma, 
mas a luz que viria, 
seria o apertar do meu peito, 
Mãos
 Afagariam meu passado.