terça-feira, 20 de março de 2018

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Estou dentro da paixão
até o cigarro parece doce
atravesso a voz do sujeito
como nuvem que não sabe pra onde vai
não durmo
não como
engulo apenas versos
e os grilos sob a janela da noite ensurdecedora pela insônia
meus olhos querem provocar a minha voz
para que eu me refaça e viva
uma vez ao menos
um pouquinho quem sabe
me derreter pelo sujeito de nome secreto
e parte de mim
tornar-me ei ele ?
dentro da paixão ? Ela é louca
imaginamos até mesmo o cheiro da infância do outro
o desprezo e carência da juventude rebelde em busca de amor
caber por dentro, em todos os lados
devorar as palavras, aquietar pensamentos, iluminar o caminho
florir tudo dentro de um sofrimento doce amargo
seria um desperdício não me perder nele
a valia seria ter um pouco de sua natural alegria.

sexta-feira, 16 de março de 2018

a esccrever

Fotografia por Milene Cristina



Sinto frio
o verbo se tornou vertiginoso
avistei uma porta azul
na crua manhã
nua
jaz quase por temor de afeto
corações
devemos insistir em pulsar
sonoro vermelho
somos razão e destino
a escrever
o que importa
as desimportantes distrações
sem horizonte?
meus poros pedem um norte
que refaz a morte de pouco a pouco
de cada dia
esse dia que nasce
e queremos viver
dourado
a cobrir nossas mentes cinzas
desbravar o peito com as próprias mãos


terça-feira, 13 de março de 2018

onde não posso chegar

poderia dizer aqui o verdadeiro nome da ilusão que me toma, 
mas a luz que viria, 
seria o apertar do meu peito, 
Mãos... Afagariam meu passado.

quinta-feira, 8 de março de 2018

o som do vento

Oscila
calafrio e fervor
na lentidão das horas
na rapidez do tempo
Mas aqui algo se faz breve
e a beleza disso é que não posso alcança-lo
passa por mim, é solar , encantador
e breve.
e sempre o quero por mais um pouco

quinta-feira, 1 de março de 2018

Secretamente

Não desejo me calar
vossos ouvidos, apenas ouviram meu silêncio
eu os via como florestas de árvores altas , 
um gritar de um pássaro que nunca soube o nome
zumbidos e só
pretendia apresentar-lhes o vermelho escondido em minha pulsação, 
também escondida
Não lhes quero
não há querer em mim algum
beber de seus rios ou atravessá-los
não mais
o abalar das árvores em minha alma desafiou-me
deixei infância e juventude por isso?
Mulher !?
resistente e comedida

o não saber de ti 
pode dar aos zumbidos
dai a eles de comer os seus restos
                                      Quanto ao grito do pássaro 
                                                                 atalho e liberdade.