domingo, 19 de fevereiro de 2017

Nos arredores da espera




Vi um balé
desenhar nos rostos
esquecidos
onde as palavras
bradavam silêncio

Neles

Só os corpos
desenhando
e desenhando
acalmando a alma
nos arredores da espera

Desafiavam olhos ,
cintilavam sorrisos
E lentamente
iam deixando histórias
por debaixo da boca

Luzindo as cabeças,
apagaram os pés ,
seus lápis do tempo.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Enquanto

E a voz
solitária
construindo
ouvidos
que enxerguem
um abraço
que a ouça

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Abrir as portas

Tirássemos nós o embrulho dos pães, do estômago , onde nele chega o pouco do que é bom. E sob a venda revelássemos os sonhos dos olhos que dormem. Pôr a luz sobre a cicatriz e as janelas bonitas das casas sem lar. Lembrar da infância sem culpar o amor daqueles que diriam o caminho. E estender o perfume da juventude e sua coragem. As rugas da velhice, talvez liberdade.

domingo, 20 de novembro de 2016

Entardecer

Olho a esperar
Sob as nuvens que me afagam
As coisas parecem possíveis e ternas
Os meus ossos quietos, meu estômago sem a náusea da ilusão
A pureza está na quietude do abismo sendo descoberto e deixado para trás
Minha vontade é de fazer melodias sobre o tempo e tocar o céu.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Valsa só (fragmentos)

A respiração como onda
indo e vontando
Tão vasto peito
sua solidão é feito jardim
a esperar primavera
Se cala quando a tempestade cai
E os tremores sobre os telhados
Tropeçam e rolam
e cessam no chão escuro.
transformando lembranças
em espelhos
encostados no passado