terça-feira, 23 de maio de 2017

ele vento

Desejei ser nele
vento
meio calmo
meio atento

o ciúme sem doçura
revelou - me
em teus olhos

e o verde se esfriou

não havia nada em minhas mãos
que o trouxesse
nem mesmo o azul do céu daqueles dias
me refizeram em teu peito

nos arrastamos no silêncio e na secura de vozes sem sol

Amarelo frio
comportavam as ruas

Ele tornou - se vento
a lembrar - me de nós

domingo, 30 de abril de 2017

Descansar apenas

falar sobre algo

sobre nada dizer

há planícies que me vêm visitar

como um silêncio que espanta as coisas irrelevantes

encontro renascimento um instante

meus olhos respiram
e floresce minha boca

descansar apenas

vontade de minha alma
encostada em meus ombros

domingo, 9 de abril de 2017

espelho do dia

Aconchego-me nos varais
enquanto pousam os pássaros
a ignorarem meu corpo parado e triste
Previram meu passado
e a dramática maneira minha
de viver
É recém chegada a lucidez por debaixo deste sol
ela revela minha loucura através do espelho do dia, pois nada pode ser escondido do tempo
pede-nos alma
e os rastros
que deixamos na passagem
são demasiadas palavras frias
Mesmo a inércia trai-me,
ao deixar um buraco profundo
por eu não caminhar

quarta-feira, 29 de março de 2017

Compreender



suspensas
as coisas que me são caras

Interpreto as tentativas do abismo
de não ser realidade
como um espelho que deseja refletir
Há tanto no mundo
e as ânsias dentro de mim
não cabem em lugar algum
Quanta sede dissolvida em palavras
um instante no qual sinto-me inteira a vasculhar minhas misérias e o contentamento do silêncio sendo porta para a fala

terça-feira, 21 de março de 2017