sábado, 13 de abril de 2013

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

 
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...

 
Sou aquela que passa a ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca
 
(Florbela Espanca. Do livro de Mágoas-in Sonetos Amadora, Portugal-Bertrand. 1978)

2 comentários:

  1. Este vez as flores non son para ti, senón para a poetisa. Encantoume a mezcla de escuridade e negrura das nubes negras coa fraxilidade e o desamparo dunha flor de pétalos murchos, que está a tremer de frío en inverno, soa e abandonada, triste, sen brazos que lle den calor, chorando bágoas de rocío. É a imaxe mental que tiven mentres lía.

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  2. P.S. Pero as grazas son para ti por postear o poema =D

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