terça-feira, 16 de abril de 2013

Do pouco

Adoço o que há de amargo do destino que negamos ser o nosso. Ouço promessas sem sentir, os que prometem nada me dizem. Coloco flores em cantos vazios, me preenchendo com o belo, a beleza do que é natural. Escolhendo o que abraçar, se o real ou o fácil imaginar. A fragilidade machuca meu lado forte, desinstalando meu querer. Abuso do silêncio, lugar que prefiro em mim. Muitas vezes me vejo cansada da calmaria que fiz decreto. De manhã posso ter certezas antes nunca aceitas, ao cair da tarde a certeza de que não sei quem sou. E é tudo tão profundo, difícil o alcançe, estou sempre em busca do que guardei. Vejo com fascínio os que se entregam, que se encontram sem a procura, se deixam encontrar. Procuro o instante do amor, que faz a mudança ao redor, pois já fez morada por dentro. E no agora, meu possível é aproximar o tudo ainda suspenso, do pouco em que me faço.

Milene Cristina

4 comentários:

  1. "De manhã posso ter certezas antes nunca aceitas, ao cair da tarde a certeza de que não sei quem sou."
    Parece que é esa incerteza existencial a que domina este pequeno fragmento. Quen somos. Como é o amor. Podemos sorprendernos cando vemos ós demais comportarse dunha forma que a nos resúltanos estrana (a min ocórreme con frecuencia no plano dos sentimentos: a paixón, a sexualidade, o romanticismo, a amizade...). As veces sinto desasosego pensando en que diferentes somos do que realmente quereríamos ser.
    Por sorte, as malas noites sempre veñen acompañadas dun novo día, e un sorriso ó despertar pola mañá (non sendo que haxa que madrugar para ir a clase, coma hoxe, hehehe).

    Moi lindo, Milene =)

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