domingo, 21 de abril de 2013

(Des) ilusão


O vento que sai levando as folhas, trazendo o que não deixo esquecer, lembrando dor já sem nome, cessando o que é bonito, fazendo da cor mais viva, a mim cinza parecer. Não florescem meus dias, do que é noite faço dia , intermináveis as horas estendendo essa demora em mim. Minha voz já rouca pela fala interrompida, ampliando o opinar alheio. É um imenso sentir do que não sinto, esvaziando o vazio, infinito querer pelo desconhecido. Me repartindo nas faces que me cabem por falta de opção. Estou avulsa na terra da ilusão, me apegando a qualquer palavra que escuto passar.

Milene Cristina

Um comentário:

  1. O vento traidor sopla no noso oído estas palabras tan tristes que nos conmoven a alma... pero son tan fermosas que sen elas non poderiamos vivir.

    Que bonito, milene. Deliciosamente poético. Coma o barrer das follas sobre chan de pedra no outono.

    ResponderExcluir