sexta-feira, 19 de abril de 2013

Identidade

 

Esquentando o café pela manhã, posso ouvir o barulho da minha pressa, agonia por me tomar, reconhecer meu nome, minha identidade discreta, inquietude que me invade sem mudança. Sou discordância toda certa, absoluta decisão do talvez, onde sempre volto atrás recomeçando muitas vezes, me tornei refém do recomeço, com um círculo vicioso de buscar-me noutro rosto, outra vontade, por que a minha não sei . Tenho em meu nome composto, composição insatisfeita com o que vejo e não enxergo no espelho. Exagero de sonhos, entupindo a realidade que faz de tudo pra chamar minha atenção. Estou atenta, mais olho o outro lado, com olhos embaçados, propositalmente distraídos. Estou chamando por mim e não respondo.

Milene Cristina

6 comentários:

  1. Além de retribuir a visita, parabenizando você.. Parabéns... não sou de elogiar a toa.. muito bons os seus textos... continue assim.. espero poder trocar mais ideias com vc.

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  2. "estou chamando por mim e não respondo."

    "Armaria!" Que poema.. Esses textos tem um ritmo difícil de não mergulhar neles.

    Sou teu fã Milene!

    Beijos

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  3. Nossa! que texto lindo!
    "estou chamando por im e nao respondo."
    Forte...amei!
    Beijos, Milene!

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  4. Ai, que fermoso o parasol de estilo oriental =)

    " Sou discordância toda certa, absoluta decisão do talvez,"
    Adoro as frases contraditorias. Paradóxicas e certas como a vida...

    Qué fantástica imaxe: chamar por un mesmo e non respostar. Por ser moitas persoas ó tempo, sen saber quen realmente es. A verdade é que ás veces eu síntome así. Non exactamente igual a isto, pero si parecido. De feito, fai uns días sentíame desacougado, deprimido, por moitas razóns, algunha delas atópase entre as túas liñas. Froito duns minutos da noite foi un poema que agora mesmo non me atrevo a publicar... Por sorte soamente me sinto así ás veces...
    Novamente escribes na busca da túa propia existencia. Só podo esperar que te atopes... pero non de todo. A vida non é tan divertida se te coñeces demasiado. Parte da emoción, do sal da existencia, é atoparse.
    Ademáis de que a vida en sí é reinventarse a si mesmo en cada instante. Nese sentido... ¿quen poderá atoparse xamáis? ¿Quen terá a resposta?
    Ninguén a tivo e ninguén a terá =)

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  5. Ah, a inquietude que inspira! É bonito quando a gente sente a entrega do autor num texto! :)

    Um beijo, Milene!

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  6. Lindo o que você escreve.

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