segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

para a passagem do ar/fragmento

.

parece
derreter
os afetos
antigos

cobrindo
fantasmas
extraindo
o que
não
sabemos
num
aperto
de mãos

Quer
fixar-se
estabelecer
o
torto
a
amplidão
dos
segredos
imóveis
em suas
frestas
para a passagem do ar

se lhe mostra os dentes
perplexo
corpo
desperta

reage com dor
num
embate
incessante


é pura
pela manhã,
não
empreguinou
ainda
a fumaça
das palavras
ditas
por obrigação

Pelo
tempo
será
corroída
Não resistirá

cairá
num
deslizar
lento
ela
persistente
a olhar
a nudez
dos rostos

eles,
livres

sábado, 25 de fevereiro de 2017

...



Reagir
aos gestos

silenciosos
e precisos

absorver
o afeto
ou a indiferença

viver as horas
sabotar
os minutos
sem sorrir

( que cor você viu hoje,
ao olhar para o céu ? )

Finco as unhas
no tempo
que escorre

Um nó
em minha essência
saudosa
do meu olhar

que por muito
observou

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Enquanto

E a voz
solitária
construindo
ouvidos
que enxerguem
um abraço
que a ouça

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Abrir as portas

Tirássemos nós o embrulho dos pães, do estômago , onde nele chega o pouco do que é bom. E sob a venda revelássemos os sonhos dos olhos que dormem. Pôr a luz sobre a cicatriz e as janelas bonitas das casas sem lar. Lembrar da infância sem culpar o amor daqueles que diriam o caminho. E estender o perfume da juventude e sua coragem. As rugas da velhice, talvez liberdade.