segunda-feira, 19 de junho de 2017

Asas

Vivem,
aqueles
com
simplicidade
maior
no olhar
e no peito
o bater é livre
por
abrigar
a esperança.

domingo, 28 de maio de 2017

Antes do barulho do relógio

E tudo é ilusão ?

e essa "verdade" faz doer-me os sentidos
o nada que despenca na solidão
é igual desatino

amedronta-me visitar-me o passado
e o presente ?
é todo esse medo e euforia
um pouco de paz e pela tarde melancolia

só para o espelho resseco essas palavras que aqui agora escrevo

Têm aparência de saudade vestida de um sol interrompido por um dia branco e algum desejo

domingo, 9 de abril de 2017

espelho do dia

Aconchego-me nos varais
enquanto pousam os pássaros
a ignorarem meu corpo parado e triste
Previram meu passado
e a dramática maneira minha
de viver
É recém chegada a lucidez por debaixo deste sol
ela revela minha loucura através do espelho do dia, pois nada pode ser escondido do tempo
pede-nos alma
e os rastros
que deixamos na passagem
são demasiadas palavras frias
Mesmo a inércia trai-me,
ao deixar um buraco profundo
por eu não caminhar

quarta-feira, 29 de março de 2017

Compreender



suspensas
as coisas que me são caras

Interpreto as tentativas do abismo
de não ser realidade
como um espelho que deseja refletir
Há tanto no mundo
e as ânsias dentro de mim
não cabem em lugar algum
Quanta sede dissolvida em palavras
um instante no qual sinto-me inteira a vasculhar minhas misérias e o contentamento do silêncio sendo porta para a fala

terça-feira, 21 de março de 2017

sexta-feira, 10 de março de 2017

Poeira




O chão seco
escreve
a poeira
do que foi
passo a mão
em meus pés
colho o verde incansável
eu permaneço
para além da secura
ou do passado
uma porção de sol
alimenta os meus ossos
reage meu corpo à desilusão
visando um encontro
com um equilíbrio
que renasça a beleza do caminho.

domingo, 5 de março de 2017

...

Falo de nuvens
e pesadelos
um modo meu
de quebrar
os vidros
das janelas
e respirar

quinta-feira, 2 de março de 2017

.



como
romper
teu silêncio
com tua
face
distante
semblante onde habitava o mar

beijar
lembranças
sonhar
depois da insônia

meus
dedos
a sublinhar
o teu nome

Some
num piscar
ressentido
escrito
na parede
do esquecimento

receio dela
o cinza
com linhas
vertigem sem ti

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

para a passagem do ar/fragmento

.

parece
derreter
os afetos
antigos

cobrindo
fantasmas
extraindo
o que
não
sabemos
num
aperto
de mãos

Quer
fixar-se
estabelecer
o
torto
a
amplidão
dos
segredos
imóveis
em suas
frestas
para a passagem do ar

se lhe mostra os dentes
perplexo
corpo
desperta

reage com dor
num
embate
incessante


é pura
pela manhã,
não
empreguinou
ainda
a fumaça
das palavras
ditas
por obrigação

Pelo
tempo
será
corroída
Não resistirá

cairá
num
deslizar
lento
ela
persistente
a olhar
a nudez
dos rostos

eles,
livres

sábado, 25 de fevereiro de 2017

...



Reagir
aos gestos

silenciosos
e precisos

absorver
o afeto
ou a indiferença

viver as horas
sabotar
os minutos
sem sorrir

( que cor você viu hoje,
ao olhar para o céu ? )

Finco as unhas
no tempo
que escorre

Um nó
em minha essência
saudosa
do meu olhar

que por muito
observou

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Enquanto

E a voz
solitária
construindo
ouvidos
que enxerguem
um abraço
que a ouça

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Abrir as portas

Tirássemos nós o embrulho dos pães, do estômago , onde nele chega o pouco do que é bom. E sob a venda revelássemos os sonhos dos olhos que dormem. Pôr a luz sobre a cicatriz e as janelas bonitas das casas sem lar. Lembrar da infância sem culpar o amor daqueles que diriam o caminho. E estender o perfume da juventude e sua coragem. As rugas da velhice, talvez liberdade.