segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Que fosse feito de poemas . fragmentos

reluto sob este teto de retalhos
vejo olhos que pairam descontentes
me olham como se chorassem à seco

são solitários os dias que lembram algum fim

volto a este teto
silenciosas flores falam de um perfume
de saber
de amar
de andar com os pés na terra úmida
e dar a mão a infância
antes esquecida

Que fosse feito de poemas.

ou pedras , todas juntas
seria um teto de histórias

teço este que por debaixo eu sonho
e descanso, e penso, e rezo,
e durmo e deixo de ser, e volto

com
cicatrizes bonitas,
cheias de ambição e calma

















terça-feira, 13 de outubro de 2015

desconhecidos e iguais

Estás escondido e liberto
quais foram teus erros ?
de certo não piores que os meus

Rasgadas tuas dores
sombras
e esperança
Teu silêncio quer desabar

Grita !
Eu já estou farta de sussurrar

Sei
Ninguém ouve ou sente
Onde estão ?
Senão por dentro

desconhecidos e iguais
Minha magreza pede a nudez de minha alma
Desencontros

passeio nos limites
da linha

da

loucura
sua e minha

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

" Em que hei de pensar ? "


quem sabe
    num respiro de contentamento
na flor branca da infância que deixava pelo caminho
 (outro também veria tua beleza )
Na poesia de ruas vazias
parecem ter rosto e voz essas ruas
Sim! Guardam todos os pensamentos dos que ali passaram
Não posso mais cansar o silêncio
         já corrosivo
Fui tentada a esconder de mim as palavras
               que rodopiam.
                                    .  
                                       . sem canção sobre o travesseiro
Sobre o destino não mais escrevi
Sobre a tristeza deixei-a para ser eu dela um esquecimento
Sobre a bondade deixei a ela um verso sem assinar

Em tudo
e na verdade
como um quarto branco,
um recomeço
em tudo
 que é suave
no céu pela manhã.

                                                                 


                               
título : trecho de:
( Tabacaria * Álvaro de Campos - heterônimo Fernando Pessoa )