sábado, 14 de março de 2015

ar e pedra


Relatos sobre o nada
navego sem nenhuma direção
expressão
semblante tardio
estações febris e intermináveis
quero tocar meu colo e me abraçar
ar e pedra e faltam-me vidas
bastando-me sobras e mãos
Medo de que na palavra
eu não seja e a verdade se perca
Divago na vagareza das ruas
cavando os olhares no asfalto.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Para lembrar


Eu quis deixar minha alma em ti
e rangia os dentes, batia as portas
romance de cartas sem chegada
Tudo era maior que eu
desejava encostar-me em teus ombros e caber nesse mundo
E tudo ficava pequeno,
como a formiga marrom que se avermelha com a luz do sol
Sussurrava súplicas quando me perdia de ti
Meu corpo doía
E tudo parecia findável
Menos a dor
Via ruir a poesia sem teu olhar indecifrável
que sabia tudo sobre mim
E o todo era cinza sem gratidão ou janelas para sonhar
Eu quis me espalhar para tocar em tua alma
E tudo tornou-se só.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Cárcere


E se por seus caminhos não pudesse escrever ? E não mais tocar seus pés com as luzes do céu de seu pensamento ? Respiraria um pó barulhento, engolindo as palavras .Cárcere. Não seria salvo ao entardecer e pelas manhãs nascidas depois de uma noite de adeus. Seria somente ele,  aquele que não habita sonhos e loucuras das histórias renascidas de sua memória.