segunda-feira, 5 de outubro de 2015

" Em que hei de pensar ? "


quem sabe
    num respiro de contentamento
na flor branca da infância que deixava pelo caminho
 (outro também veria tua beleza )
Na poesia de ruas vazias
parecem ter rosto e voz essas ruas
Sim! Guardam todos os pensamentos dos que ali passaram
Não posso mais cansar o silêncio
         já corrosivo
Fui tentada a esconder de mim as palavras
               que rodopiam.
                                    .  
                                       . sem canção sobre o travesseiro
Sobre o destino não mais escrevi
Sobre a tristeza deixei-a para ser eu dela um esquecimento
Sobre a bondade deixei a ela um verso sem assinar

Em tudo
e na verdade
como um quarto branco,
um recomeço
em tudo
 que é suave
no céu pela manhã.

                                                                 


                               
título : trecho de:
( Tabacaria * Álvaro de Campos - heterônimo Fernando Pessoa )

2 comentários:

  1. Êh, moça que desafia comentários e comentaristas, com seus poemas tão profundamente pessoais, intimistas e visionários!
    Moça, eu sou limitado para te comentar! Mas estou sempre por aqui, te acompanhando de um passo só atrás...
    Álvaro de Campos é um heterônimo formidável desse gênio da poesia mundial. Fizeste bem de tomar tal verso para título.
    Quem sabe as ruas vazias guardem mesmo poesia?! E se não escrevesses nunca mais sobre destino e tristeza, e se deixasse deles esquecer, aimda assim, tu os esquecerias?!
    Ainda que assim pudesse ser, não te esqueças de ti mesma neles, porque é isso que te faz viver. Beijossssssss

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  2. Bonito o desfecho do poema. Há uma certa luminosidade, que se equilibra com a melancolia das palavras e ideias. Até!

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