sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

onde quer estar agora ?

fragmentos

 
recolho a embriaguez
ela circula sobre a cama
 
acinzenta o dia
o remédio de sol
 
 
remediar
e levantar
a desordem
 
Não me conte sobre o teu dia.
 
 
não sou forte o bastante ?!
tenho em mim um pesadelo.
 
Onde quer estar agora ?
 
no antes do vício
no saber da alma
 
 
 
 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

da rua nossa

A ânsia,
sinto agora como loucura pura e desastrada vontade, que torna o silêncio um objeto brando de desconhecimento. As previsões eram de gargalhadas sobre os telhados a esperar o afeto depois do apagar dos olhos do céu, mas não ! Bastou-me a boca de todo meu desejo e dor, arrancar-me do espaço meu inventado a dois ferir meus sonhos ante a poesia da rua nossa. Palavras. Ah ! Todas agora são pedras sobre rosas, lâmina trajando nuvem inquieta ... Inquieta. Onde agora vou caber ? Onde a tristeza não terá tão triste aparência ? A minha proposta ao Tempo tomará outro rumo, e não sei se Este ainda haverá ( Nunca sabemos ).
O esquecimento acena-me ao longe , tem a face calma , calça os sapatos do desencontro, fazendo do vento distração derradeira .

sábado, 14 de novembro de 2015

a primeira

Improviso uma luz em meu peito
que queima
que é vida
e dela não sai palavra alguma torta pela perfeição
garanto meu debruçar por dentro
íntima
calma
feliz
o mundo de longe me olha
corro em pensamento
atravesso
horizontes
portas
medo

não penso no distante da certeza
quero ainda acreditar
na esperança.

sábado, 7 de novembro de 2015

Sinto

A perca do amor,
a saudade com a boca cheia de palavras .
Essa história perdida e ressentida ,
repetidamente eu o amo e abraço tua ausência.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Que fosse feito de poemas . fragmentos

reluto sob este teto de retalhos
vejo olhos que pairam descontentes
me olham como se chorassem à seco

são solitários os dias que lembram algum fim

volto a este teto
silenciosas flores falam de um perfume
de saber
de amar
de andar com os pés na terra úmida
e dar a mão a infância
antes esquecida

Que fosse feito de poemas.

ou pedras , todas juntas
seria um teto de histórias

teço este que por debaixo eu sonho
e descanso, e penso, e rezo,
e durmo e deixo de ser, e volto

com
cicatrizes bonitas,
cheias de ambição e calma

















terça-feira, 13 de outubro de 2015

desconhecidos e iguais

Estás escondido e liberto
quais foram teus erros ?
de certo não piores que os meus

Rasgadas tuas dores
sombras
e esperança
Teu silêncio quer desabar

Grita !
Eu já estou farta de sussurrar

Sei
Ninguém ouve ou sente
Onde estão ?
Senão por dentro

desconhecidos e iguais
Minha magreza pede a nudez de minha alma
Desencontros

passeio nos limites
da linha

da

loucura
sua e minha

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

" Em que hei de pensar ? "


quem sabe
    num respiro de contentamento
na flor branca da infância que deixava pelo caminho
 (outro também veria tua beleza )
Na poesia de ruas vazias
parecem ter rosto e voz essas ruas
Sim! Guardam todos os pensamentos dos que ali passaram
Não posso mais cansar o silêncio
         já corrosivo
Fui tentada a esconder de mim as palavras
               que rodopiam.
                                    .  
                                       . sem canção sobre o travesseiro
Sobre o destino não mais escrevi
Sobre a tristeza deixei-a para ser eu dela um esquecimento
Sobre a bondade deixei a ela um verso sem assinar

Em tudo
e na verdade
como um quarto branco,
um recomeço
em tudo
 que é suave
no céu pela manhã.

                                                                 


                               
título : trecho de:
( Tabacaria * Álvaro de Campos - heterônimo Fernando Pessoa )

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Todo fim

o som vagueia na boca
sobre a rua pés apressados
apreciam a solidão

tem um grito por dentro
do rosto
onde pousam rugas
e um riso que amarela o sol

toda força sai
quando o olhar deixa a aparência de lado
de frente
(de)vagar
de susto se encontra

Nas mãos dos anos
deitada sobre os dias
que passam

Ouça o girar

A cidade cresce
desce um degrau dos teus sonhos
Lembra
esquece

   escreve e muda

Lembra do rio
das vezes de alegria
dos olhos verdes
daqueles dias

Sob a sombra destes tempos
lágrimas
lamentos
a saudade dança com o entardecer

embala os vícios atrás da beleza da pintura
solta o silêncio de tuas coisas
e todo fim é agora recomeço.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

em seu caminho

Era assim num tempo restrito
que caminhava em seu pensamento
dentro de uma desmemoriada lembrança
colhia o vento e as pessoas que tinham identidade
( Os que olhavam para a esperança e sorriam )
Dissera um menino para ela em seu caminho :
Pelos olhos sabem de nós, a alma silencia os disfarces
Aquele instante foi um pouco eternidade


domingo, 23 de agosto de 2015

coisas, amores e palavras



Rema na secura das portas
cada passo entreaberto 
Raízes ignoram teus olhos
sem lágrima, ainda verdes
Temor e distâncias
entrelaçam o cabelo da juventude só
Ouvidos e pássaros passam por teu corpo
a pensar no nada e na ingratidão
Faz como quem sonha
antecede o horizonte que veio da janela
Tela ou destino
abrigo sereno e perturbador 
reage à poesia
e à fumaça do vício. resquícios
das coisas
amores e 
palavras

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

não ser

Contra o tempo
e toda dor


o instante 
quer permanecer

Traçando melodias
na manhã
como todas

nada sabemos

segura o peso do papel em branco
( esse vazio insistente por dentro )

Vivendo posso quem sabe aprender
a não ser ( e tudo bem )

a distância tudo parece perdurar

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

onde moras ?

Tento lidar com a busca
há um fascínio nas palavras
há o silêncio
a loucura
a verdade que dança sob a ilusão
habitante de um tempo fugaz e interminável
onde moras ?
Talvez nas cores e sombras
no amor e na sobra
na boca a denunciar a saudade
num abismo inventado
que é quase um pertencimento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Agosto

.
.


Escrevo você para me lembrar

terça-feira, 21 de julho de 2015

Cinza


Sem caber na cama
meu corpo - imensidão
eu sonho
visitação ao
inconsciente avassalador
jogo-me em meio à neblina
menina,
semente
ou no topo do erro
a colher meus impulsos amargos ?
Me devora esse encontro
morto-amor
sua secura me fere
sugerindo um poema em branco
santo dia cinza
sentenciando tua ausência.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Descompasso


De ponta cabeça
 olho as estrelas caídas
e a porta que aperta as paredes do meu corpo
  range.
Eu sussuro uma sensação de vida pela manhã
descompasso o relógio
  e o tempo me sorri.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Tua

Ainda falta-me o ar e ainda sobra o teu nome no meu pensamento mais profundo . Quanto a fuga ? Nada adiantou. Olhei pra trás em todos os passos que dei em direção contrária à você. Tenho pena dessas minhas palavras que se repetem, ainda adoecidas por teus olhos. Muitos finais desejei antes do final, mas nunca aconteceu, não consegui deixá-lo, nem mesmo a porta soube bater em paz, não se fechou. Releio cada traço em meu rosto sem tua alegria , tua alegria. Tua. Talvez seja ela que mais me faça falta.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Outros

Não sabem
que o meu grito mais forte
É este silêncio em mim

sexta-feira, 3 de julho de 2015

e a felicidade soube de mim



Eu o conheci quando a esperança me embalava
Disse a ele o quanto não sabia do mundo
Ele quis me mostrar
Sorria a qualquer sinal de menino
Vendo naquele homem toda minha vida
Ele me dizia palavras tão confusas
Mas se encaixavam em meus ouvidos
Tão doente eu estava para que tudo fosse certo em mim
Precisei que ele chegasse e mostrasse meus defeitos
sendo tão gentil com a vida
que com ele era menos cruel e com um ar que nunca havia respirado
E todas as datas, ruas e notícias tinham um sentido
sem que eu ignorasse o sol da manhã
Pronunciei amor em todos os dias dos anos que comigo ele esteve
Era naturalmente feliz e a felicidade soube de mim.


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sopro


Ele tocou em meu rosto tão levemente. Acalmou minha alma como se eu tivesse enfim me encontrado. Folhas e sol, e a força dos seus olhos felizes
apresentando-me à alegria. Breve cor em meu corpo. Sopro constante de paz.

domingo, 31 de maio de 2015

* Céu

                              

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Junto ao vento

Sob o tempo
silencio
Há rosas e espinhos viajantes
Doses de alegria derretem
enquanto o abismo vai tornando-se
raso e solúvel

Tua face se foi
junto ao vento
Minha fome pequenina
não mais me alimenta
Poeira no ar
como palavras sem papel

Sonhei com o céu essa noite
Pintado à tinta
e o azul permaneceu infinito
Meus olhos como janelas
o tocavam

Minha face voltou junto ao vento
Fazendo o caminho que você deixou.

sábado, 14 de março de 2015

ar e pedra


Relatos sobre o nada
navego sem nenhuma direção
expressão
semblante tardio
estações febris e intermináveis
quero tocar meu colo e me abraçar
ar e pedra e faltam-me vidas
bastando-me sobras e mãos
Medo de que na palavra
eu não seja e a verdade se perca
Divago na vagareza das ruas
cavando os olhares no asfalto.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Para lembrar


Eu quis deixar minha alma em ti
e rangia os dentes, batia as portas
romance de cartas sem chegada
Tudo era maior que eu
desejava encostar-me em teus ombros e caber nesse mundo
E tudo ficava pequeno,
como a formiga marrom que se avermelha com a luz do sol
Sussurrava súplicas quando me perdia de ti
Meu corpo doía
E tudo parecia findável
Menos a dor
Via ruir a poesia sem teu olhar indecifrável
que sabia tudo sobre mim
E o todo era cinza sem gratidão ou janelas para sonhar
Eu quis me espalhar para tocar em tua alma
E tudo tornou-se só.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Cárcere


E se por seus caminhos não pudesse escrever ? E não mais tocar seus pés com as luzes do céu de seu pensamento ? Respiraria um pó barulhento, engolindo as palavras .Cárcere. Não seria salvo ao entardecer e pelas manhãs nascidas depois de uma noite de adeus. Seria somente ele,  aquele que não habita sonhos e loucuras das histórias renascidas de sua memória.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Aceno aos girassóis


Eu o imaginei
entrei em tua alma sem que percebesse
Agora está distante
Já não mais o imagino
Aceno sem tua chegada
Há solidão no papel
e a intenção das palavras com teu nome
Deixou apenas o amarelo dos girassóis
Por aqui não tem feito sol algum com teu olhar
e o mar o espera
 (des)espero sem o teu horizonte.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

é a luz que entra pela porta

às moscas
o prato
a palavra sorrateira nos arredores de minha boca
O corpo inquieto
Teto e brasa
Dá-me asa
para me sobrevoar !
E olhar esse quadro remexido
e as cores escorrendo
Remo sem mar
zumbido
quase um cantar, é a luz que entra pela porta
E o que importa ?
Se a escuridão fez de mim teu nome e lugar

Falo às seis com a cama
Hoje o sol é branco
Espanto, quase dor
Relógio
 e o plágio que fez de minha carência
( Vou sentir saudade. )
 Realidade faz a porta se fechar.