sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Palavras do chão

Sob constelações apagadas
O trem para na estação
Inventando um inverno
Vou
Inventando ser sério o começo desse fim
Estou  encharcada de um perfume de partida
Sonhando ser minha estrada
A coragem e o contentamento
Brotam palavras do chão
Seco
Becos, esquinas
Mentiras matando a fome das verdades doídas
Dizer-te
Seria amar-te
Mas não sei ser
Amor.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Metade

Tenho lembranças indigestas
chegam a corroer as nuvens que fingem não me observar
Têm me derrotado o cheiro de um amor que pensava ter mudado o gosto
suposto único e irremediável
de morrer de tanto amar
de morrer por não ser amado
contradito a desilusão
colorindo minha paz 
que por anos engoliu meu olhar e minha alma em preto e branco







terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dela

do querer
um disfarce vermelho
braços abertos sem calor

da exatidão
nua sua cinza e chuvosa ilusão
rosa , entre um café esquecido
um aviso de romper com o dia

agonia sob o verde
tua árvore ,
prefere ser triste debaixo da beleza

da surpresa
o alento 
vento e folhas dançam
secando tuas lágrimas sem sal


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Janela

Carros e cortinas
No vão me encolho
O céu forma tempestades
E nenhuma gota cai
Calculo a sede
Parede e pó
O sol parece estar cansado
Contando o tempo
O tempo
Passa...Fechando a janela.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

" Eu não tinha este coração que nem se mostra "

( do poema_ Retrato. Cecília Meireles )