segunda-feira, 23 de junho de 2014

Flores e dor

Já não é tão longo meu cabelo, como naquele tempo em que eu não media o tempo. E as luzes da manhã passavam por mim despercebidas, mas sentia. Brilhavam mais.
Ainda erro em concordância, e meus erros, ah! Podiam ser apenas esses confusos acentos que se distraem em minhas distrações. E escrevo como para respirar, quando os outros erros esvaziam os meus dias. Talvez esgotarei as palavras e os cafés amargos
( entonteço com muito açucar , mas não fico sem café ) a falar de flores e dor.

Milene Cristina

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nunca foram negros

Pensei ter decifrado a cor dos teus olhos
Teus
e foram meus
longos minutos
em teus olhos

Verdes deserto
Quando paravam sobre mim
Inquietos

Cinzas e frios
Quando cravado em mentiras
Sumiam
Sem brilho

Nunca foram negros
receio teu
Que tua cor fosse a dos meus

Não sei a cor de teus olhos
Hoje

Talvez não saberei
Talvez esqueça
Que dos meus a ti
nada entreguei

sábado, 14 de junho de 2014

Alguém

Guardo-me agora
me alimentando de conversas futuras com alguém que passou
Tenho em meu corpo uma intuição gasta e melancólica
Penso saber o que irei sentir pela manhã, antes mesmo do nascer do dia.
Previsão : Sonhos e saudade.
Realidade,
por que me traz tanta dor?
Com a ilusão posso me vestir com o absurdo e sorrir.
Liberdade emprestada às minhas prisões, e eu gosto dessas asas que não têm meu nome.
Sinto apenas não chegar até ti.
Metade minha
perdida.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Feijão

Aquele dia foi imenso
minha palidez comum desde criança
estava num tom mais branco
Dizia meu avô
que eu precisava comer feijão
Mas
não
Era falta de amor

Era o amor
O feijão que em mim faltava

Ao sol eu murmurava
Não vais me morenar?
Preciso ter a aparência
de quem têm amor

Horas em vão
refletindo minhas bochechas descoradas.

Milene Cristina