segunda-feira, 28 de abril de 2014

branco

Ouço o gemer das horas
não decifro
aquele meio quase almoço
Vejo uma folha em branco
e já estou nela
cheia de pontos
finais.
Não há fome
mesmo com o cheiro do meio-dia
perdi algumas respostas
no girar dos ponteiros.
E persiste o sol,
ele brilha
sobre minha sombra
e eu canto
disfarçadamente o futuro
sem mostrar o medo de ser apenas vontade
De passagem
o ensaio de um balé branco no céu,   

não vencem o amarelo
do meu sincero sorriso.

Milene Cristina

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Para ser a dor

Absorvo tudo ao redor e
onde levar o pensamento

Num ensaio exaustivo
punindo até o que não penso

do amor , quero sempre tua gota
que cai para ser a dor

Não é meu desejo aliar-me
ao inalcançável

reluto enquanto sigo teus passos
lentos
que parecem corroer o cansaço

Sem razão
mergulho pra poder me salvar

entregando-me à tempestade
de atraente olhar.

Milene Cristina

sexta-feira, 11 de abril de 2014

labirinto

.
.

minha alma
escreve em meus olhos
o silêncio inquietante
que guardo na boca
dos meus pensamentos.

Milene Cristina

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sem cama ou palavra

Dorme amor
que teu sono
releva

daqui
tuas pálpebras
cobrem todos sonhos
e espera serena
por tuas viagens conscientes
no que lhe é desconhecido

me beijas
lá fora
sem cama
ou palavra
é imensa a possibilidade
que invade
essa nossa solidão

não!
deixe-me agora partir
sou eu a dormir
depois de ti outro sonho.

Milene Cristina

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vestido no fundo de ti

Escrevente alma
guarda-lhe um tanto
ao escancarar meu corpo
tolo e silente
cavando cordas em mim
menores
piores sons
havendo paz no desregrado
e habitante amor
que se despede
como um breve pôr do sol
que fica na memória
Chora alma
lavando-se um pouco
sendo solo novamente desse corpo
vestido no fundo de ti
que esteja aberta tua porta
e tuas asas o liberte.

Milene Cristina

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não dormem as ilusões

Não lhe vejo
há caminhos odiosos de distâncias
clama minha boca
por apenas um traço
num rosto que não desfaça minhas ilusões tão sérias,
lúcidas em serem voo
em tempo de ser longe
o adeus que me partiu
alucinam-me as horas
alternam entre o frio
e o que dele vai além
catalogando o absurdo
desafiando o que a noite vai deixando.
suaves passos da insônia
que antes mesmo que eu
olhou-me cansada e adormeceu.

Milene Cristina