segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

às 2h47

Rasgo o poema
Feito de saudade e suor
Qualquer ponto faço de ti um atalho
Interrogação
Escravidão e cansaço
Passo partido
E
quase estou liberta
As horas alheias e cheias de beleza
Apertada em meus braços finos
Veias a contar o fim do ano
Provisórios planos
Por hoje ignoro meus vícios.










sábado, 13 de dezembro de 2014

esquecimento


Dizer não sei
Minha vontade é compreender
enxugar as lágrimas até mesmo das árvores sem frutos
qualquer canto diz
e os pássaros me fazem voar
mas mantenho meus receios
 prisão-pensamento

um destino de cartas em branco
são os dias dessa estação
fazendo-me
ser de mim despedida

Quem sou na manhã de meus olhos ?
versos solitários me fazem companhia
em meu caminho , um esquecimento.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Palavras do chão

Sob constelações apagadas
O trem para na estação
Inventando um inverno
Vou
Inventando ser sério o começo desse fim
Estou  encharcada de um perfume de partida
Sonhando ser minha estrada
A coragem e o contentamento
Brotam palavras do chão
Seco
Becos, esquinas
Mentiras matando a fome das verdades doídas
Dizer-te
Seria amar-te
Mas não sei ser
Amor.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Metade

Tenho lembranças indigestas
chegam a corroer as nuvens que fingem não me observar
Têm me derrotado o cheiro de um amor que pensava ter mudado o gosto
suposto único e irremediável
de morrer de tanto amar
de morrer por não ser amado
contradito a desilusão
colorindo minha paz 
que por anos engoliu meu olhar e minha alma em preto e branco







terça-feira, 18 de novembro de 2014

Dela

do querer
um disfarce vermelho
braços abertos sem calor

da exatidão
nua sua cinza e chuvosa ilusão
rosa , entre um café esquecido
um aviso de romper com o dia

agonia sob o verde
tua árvore ,
prefere ser triste debaixo da beleza

da surpresa
o alento 
vento e folhas dançam
secando tuas lágrimas sem sal


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Janela

Carros e cortinas
No vão me encolho
O céu forma tempestades
E nenhuma gota cai
Calculo a sede
Parede e pó
O sol parece estar cansado
Contando o tempo
O tempo
Passa...Fechando a janela.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

" Eu não tinha este coração que nem se mostra "

( do poema_ Retrato. Cecília Meireles )

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

...

Eu sou a mesma
com a ilusão de ter os olhos livres
Ainda sou eu
Quem espera o amor.

domingo, 19 de outubro de 2014

Sopro

Dentro do olho
Um sopro
Um pouco do mundo
Muito pouco
Eu sofro
Consumo os restos de onde estive inteira
À beira de mim

Eu
Suspiro querendo respirar
Não caibo no ar
Nesse chegar sem fôlego

Quebrei asas
Promessas
E os copos por distração

E escorro no suor

No mar
No amor
No som do futuro

Renovo o escuro
Crua
No olho
Um sopro
Uma sombra de mim.

domingo, 5 de outubro de 2014

Vento

E hoje? Qual é o som de tua voz
Eras forte e fingido
Abrigo encantador de portas abertas
Destas
de quadros profundos
Que nos faz tocar a ilusão
Foram tuas sombras que me aqueceram um dia
Fria e vazia fui
Pedia a qualquer estação que me falasse do amor.
Nem mesmo o inverno me olhou
Enquanto você chorava alegria
Eu roía as unhas e a vida
Diga-me qual é o som de ti
Que não vejo e tanto desejo sentir.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Quase sincero

É cortante o silêncio depois das seis
Me olhas assim e também me cortas.

Finjo flagrar a alegria, finjo vê-la escorrer das crianças que brincam com o tempo. Tu me vêm numa altura além de um céu, o azul dele está mais perto e é quase sincero. Tenho engolido o tédio ao reinventar a sanidade, mas nunca gostei de me alinhar, sempre foram tortas minhas linhas, finas quase invisíveis aos outros olhos. Hoje, queria sentir fome de qualquer coisa que saciasse meu corpo e meus pensamentos. Mas tu não me ouves, eu mesma nem sei o que digo, foges a olhar um horizonte teu. Eu vertical e pobre vou me unir aos que descansam sem nenhuma ilusão.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O tempo zumbe em meus ouvidos, e esse enxame me aprisiona.

( canto segundo_ livro: Fogo Pálido. Vladimir Nabokov )

domingo, 31 de agosto de 2014

Do que vejo

Falam
Os vidros
O sofá
As revistas velhas na sala
(nada dizem)
A tv grita o fim de tudo
Eu mudo de lugar a roupa de amanhã
Fala-me a chuva que enfim chegou
Digo:
Posso agora respirar
Fala o passado
O instinto
E o vazio
Meu vício fala que se cansou
Falam todos os amores que me amaram
Gotejo
Em meu silêncio frio
Calo meu mundo
Mudo.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

E escrevo



Vou ao fundo do inverso
deitando sobre a insensatez 
Sobre mim, 
versos antigos a engolir minhas memórias


e escrevo , 
sedenta de infinitos
minhas mãos me suportam
fadigam meus pensamentos
e escrevo
Repito-me na insistência da dor
Invado


Nem mesmo a nudez
Traz alguma sombra de leveza

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Engasgo

Quero furtar as rosas escuras
do sofrer
Me enfeitar
e ignorar a razão
Gritar esse engasgo
de fumaça e espera
Quem dera eu 
pudesse não mais conter
Sangrar meu silêncio
cuspindo nos que me vestem
sem conhecer o sentido
de eu nada sentir
Caberá nesse minuto infinito rasgar meu sorriso
folheando  poemas de amor.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Ele canta

O grito é mais longo
E vem
Da janela que nada avista
Há paredes redondas
loucas e silenciosas
Flores
num canto sem flores
Canta alguém que não sei o nome
O que importa ?
Ele canta.
enquanto vejo a solidão passar.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Flores e dor

Já não é tão longo meu cabelo, como naquele tempo em que eu não media o tempo. E as luzes da manhã passavam por mim despercebidas, mas sentia. Brilhavam mais.
Ainda erro em concordância, e meus erros, ah! Podiam ser apenas esses confusos acentos que se distraem em minhas distrações. E escrevo como para respirar, quando os outros erros esvaziam os meus dias. Talvez esgotarei as palavras e os cafés amargos
( entonteço com muito açucar , mas não fico sem café ) a falar de flores e dor.

Milene Cristina

terça-feira, 17 de junho de 2014

Nunca foram negros

Pensei ter decifrado a cor dos teus olhos
Teus
e foram meus
longos minutos
em teus olhos

Verdes deserto
Quando paravam sobre mim
Inquietos

Cinzas e frios
Quando cravado em mentiras
Sumiam
Sem brilho

Nunca foram negros
receio teu
Que tua cor fosse a dos meus

Não sei a cor de teus olhos
Hoje

Talvez não saberei
Talvez esqueça
Que dos meus a ti
nada entreguei

sábado, 14 de junho de 2014

Alguém

Guardo-me agora
me alimentando de conversas futuras com alguém que passou
Tenho em meu corpo uma intuição gasta e melancólica
Penso saber o que irei sentir pela manhã, antes mesmo do nascer do dia.
Previsão : Sonhos e saudade.
Realidade,
por que me traz tanta dor?
Com a ilusão posso me vestir com o absurdo e sorrir.
Liberdade emprestada às minhas prisões, e eu gosto dessas asas que não têm meu nome.
Sinto apenas não chegar até ti.
Metade minha
perdida.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Feijão

Aquele dia foi imenso
minha palidez comum desde criança
estava num tom mais branco
Dizia meu avô
que eu precisava comer feijão
Mas
não
Era falta de amor

Era o amor
O feijão que em mim faltava

Ao sol eu murmurava
Não vais me morenar?
Preciso ter a aparência
de quem têm amor

Horas em vão
refletindo minhas bochechas descoradas.

Milene Cristina

domingo, 18 de maio de 2014

Cruel e sensato

Não fui
ainda não sou
perdida e consciente
menti para o espelho
e para o tempo
Ah ! O tempo
cruel e sensato
Cabe às vezes em minhas mãos
Mas nunca o toquei
E o que faço?
São sinceros os anos.
E passaram
já passou
nesses minutos que escrevo
sem me enxergar.
Há de lavar-me a tempestade
do disfarce em que me visto
Terei talvez a coragem dos que vivem
Renascerei pela manhã.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

branco

Ouço o gemer das horas
não decifro
aquele meio quase almoço
Vejo uma folha em branco
e já estou nela
cheia de pontos
finais.
Não há fome
mesmo com o cheiro do meio-dia
perdi algumas respostas
no girar dos ponteiros.
E persiste o sol,
ele brilha
sobre minha sombra
e eu canto
disfarçadamente o futuro
sem mostrar o medo de ser apenas vontade
De passagem
o ensaio de um balé branco no céu,   

não vencem o amarelo
do meu sincero sorriso.

Milene Cristina

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Para ser a dor

Absorvo tudo ao redor e
onde levar o pensamento

Num ensaio exaustivo
punindo até o que não penso

do amor , quero sempre tua gota
que cai para ser a dor

Não é meu desejo aliar-me
ao inalcançável

reluto enquanto sigo teus passos
lentos
que parecem corroer o cansaço

Sem razão
mergulho pra poder me salvar

entregando-me à tempestade
de atraente olhar.

Milene Cristina

sexta-feira, 11 de abril de 2014

labirinto

.
.

minha alma
escreve em meus olhos
o silêncio inquietante
que guardo na boca
dos meus pensamentos.

Milene Cristina

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Sem cama ou palavra

Dorme amor
que teu sono
releva

daqui
tuas pálpebras
cobrem todos sonhos
e espera serena
por tuas viagens conscientes
no que lhe é desconhecido

me beijas
lá fora
sem cama
ou palavra
é imensa a possibilidade
que invade
essa nossa solidão

não!
deixe-me agora partir
sou eu a dormir
depois de ti outro sonho.

Milene Cristina

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Vestido no fundo de ti

Escrevente alma
guarda-lhe um tanto
ao escancarar meu corpo
tolo e silente
cavando cordas em mim
menores
piores sons
havendo paz no desregrado
e habitante amor
que se despede
como um breve pôr do sol
que fica na memória
Chora alma
lavando-se um pouco
sendo solo novamente desse corpo
vestido no fundo de ti
que esteja aberta tua porta
e tuas asas o liberte.

Milene Cristina

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Não dormem as ilusões

Não lhe vejo
há caminhos odiosos de distâncias
clama minha boca
por apenas um traço
num rosto que não desfaça minhas ilusões tão sérias,
lúcidas em serem voo
em tempo de ser longe
o adeus que me partiu
alucinam-me as horas
alternam entre o frio
e o que dele vai além
catalogando o absurdo
desafiando o que a noite vai deixando.
suaves passos da insônia
que antes mesmo que eu
olhou-me cansada e adormeceu.

Milene Cristina

terça-feira, 25 de março de 2014

Pulsar


Colha
à escrever-te sobre as telas
amarelas
azuis
banhando-se no vestir da primavera
que lhe escreve flores da manhã

sãs essas tuas palavras de loucura
rasgando tua pintura
Funda e escura
a caber em teu olhar
Que é trilho de romances
e dor

alcance devagar
o que divaga tua mudez
este sangrar de poeiras
e passado. 

Milene Cristina

sexta-feira, 21 de março de 2014

Laço


Fumaça e conversa
Tu não rotulava meus olhos
apenas encostou os seus
Desafiava a timidez
que incontrolável prendia-te
Não havia nome ou melodia
naquele tempo infinito de nós
Havia sim um ciúme ouvinte
à um laço recente e eterno.


Milene Cristina

quarta-feira, 19 de março de 2014

Paredes



Paredes brancas
sufocam o próximo respiro
.
.

São minhas as palavras simples
e as frases que recitam silêncio
enquanto esfria o café.

Não adoço nenhuma lembrança
Não há açúcar no vazio
Tampouco o amor.


Milene Cristina

terça-feira, 18 de março de 2014

Do que é meu

 
Sou das saudades minuciosas
garimpando o que sinto
entregando às lágrimas beleza
para assim
não mais sentir
.
.
.
Milene Cristina

domingo, 16 de março de 2014

Num minuto


Já não basta o silêncio, atravessei as fronteiras de um cinza lento. Pulsou um sussurro discreto, dentro dele um grito, um mistério esperado das ruas aqui escondidas. Escrevo agora com meu corpo, está todo em minhas mãos. Num minuto vejo completa minha alma, apenas um minuto onde não existi fim para a paz. Feito sede que se matou, um amor que se tomou. Há calor e frio, mas nenhum incomodo, todas minhas linhas, formas e expressões cabem. Num minuto moldada , eu despida e vestida de  mim.
 
 
Milene Cristina

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Girassol vive mais.

Ensaio escrever pelo caminho
como estivessem minhas mãos remendando brisas
Em mim um arborizado sem respiro
Ilusório caminho
Nem mesmo tenho poeira nos pés
E não há a fadiga sob o sol
Girassol vive mais.
Num rumo disperso
pintando o céu com meus olhos
Nuvens. Engano meu pensar serem meu descanso
Não mereço seu tom branco e leve
Vejo não ser breve
me dispor
Pesos amarelados
que olham
para um horizonte velho
Não há suor em meu rosto
Nenhuma praça a me abrigar
Nem mar
Nem chão de terra
Nem a espera no asfalto.

Milene Cristina

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Talvez seja amor

E se for amor
Cairei na tua dor
Sentirei tua alegria
Até o dia que for pra outro lugar
Aguardarei tua fúria
Tua loucura
Doce
Doce e triste
E viva
E pálida sem espaço
Pois
Depois
Será depois
Talvez seja amor.


Milene Cristina

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Ao pensamento


Dê-me espaço
.
.
Para nascer de mim
Todas essas moradas de portas fechadas

Por cordas
Seguro-me em ti
Em voltas perco-me
És desaguar

Me tens nas mãos
E não lhe alcanço

Cansa-me tua tempestade
Receio não ser mais vento
Sei que brisa nunca serás

Peço que abrigue minha súplica
Não vista-me como vício
Não deixes pobre meu coração.

Milene Cristina

domingo, 5 de janeiro de 2014

Formas

Das formas que em nada constituem
Subo no mais alto dos desencantos
Rezo aos céus
Fechos de pontos meus
Como fosse um rascunho.
Vários rascunhos
no mesmo papel
Quadrados incoerentes são meu lar
E das linhas retas tenho apenas
o acenar .
A vertigem me chama
Estou dentro dela
Circular e frágil
Mas faminta em me manter
em seu labirinto .

Milene Cristina