quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Desconhecido

Nem nas minhas tantas ilusões
o imaginei.
Foi num dia com cheiro de paz,
apesar de ventos a soar tempestade.
 
Por  detrás de armários,
passos a trazer barulho arrastado,
a cansar meus ouvidos.
Junto à voz de um homem
em tom de menino.
Fez-me iluminar por dentro.
Nem pensei em seu nome. 
Tornou-se parte de mim.
 

Milene Cristina

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

...amei


Aprendi ao arrancar-te de mim,
estar  entregue
à dor desconhecida.
Sem mensurar
o quão seria.

Sem olhar,
sem alagar minhas culpas
juntei-me.
Exerci a ideia
de voltar para o que deixei

Fui
quando ainda havia amor.

Milene Cristina

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Arrepio

.
.
Fervilho anseios,
Festejando o amanhecer que não nasceu.
Do amor que disse adeus sem partir.
Rosas por receber.
Feroz solidão
Por que me faz ingerir esse arrepio seu?

Milene Cristina

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Estranha


Validei-me em teu amor, ignorei meus olhos que eram tons de sonhos. Fui dança em teus passos. Embaracei meus cabelos ao pensar em ti. Um domingo inteiro seu. Fiz horas com seu nome, meu chamado mudo. Li poemas doces, mas não encontrei seu amargo amor. Não chorei. Deserto. Pressentia paisagem ao ouvir tua voz. Jeito estranho de amar. Não era o coração. Era razão inventada. Um nada a tomar-me . Engolida sem receio. Sinto-me agora uma estranha a mim, por não mais te amar.


Milene Cristina