quarta-feira, 29 de maio de 2013

E o que deixou



E no debruçar das lembranças, vou além das distâncias. Estão todas aqui, imploram para que diminuam, e então me perco em atalhos infantis realizando minhas promessas. Ergo-me para ver se enxergo o que foi desejo, minhas invenções me observam enquanto sou eu o olhar que procura. Há misturas, faltas, abismos incompletos completando minhas incoerências. Me faço borracha em vão. Não se apaga o que viveu e o que deixou. Assim, quero me emprestar ao lápis, quem sabe uma nova história . Meu contexto: A paz.

Milene Cristina

terça-feira, 28 de maio de 2013

...

 
Vento agradando
o tempo
pedras pressentem
mudança
.
.
.
tá chegando visita:
 És querida Esperança!!
 
Milene Cristina
 
 
 

Mês de maio


Agarrei aquele presente mês de maio com encanto, era sopro novo de não saber amor. Ocultava minhas palavras. Só conseguia sorrir. Provava seu gosto por ser o oposto meu. Desejava, por não saber, total desconhecimento de ti, minha atração era seu jeito estranho, mais tentava conter , eu era janela fechada, não muito me arriscava  olhar a paisagem. Medo do ilusório. Mais sua natural entrega não me deixou escolha, escolhi por nós.

(...) tornei-me anjo, foi minhas asas. Hoje é saudade

Milene Cristina

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Abraçando o frio


E o que faço agora
se tudo demora
há horas em mim

Desfechos intermináveis
escolhas sem opção
talvez me encolha
talvez recolha
tudo o que for
não

Remediando
odiando
adiar,
armar-me em renúncia.

Pronunciando
os olhos tristes
amortecendo

envelhecendo
sonhos.
abraçando
o frio

invadindo
o vazio
que quer
se evadir

chegando ao fim.

Milene Cristina

domingo, 26 de maio de 2013

Meu ar



Daquele amor permanente , escalei minha dor. Habitei em desatinos, fui ao fundo deixando meu mundo ao entrar no seu. Fui feliz mesmo quando em lágrimas, arrastava sorrisos, inventando abraços todos pra mim. Fiz-me mulher e voltava pra casa menina, com meus medos só. Me julguei. Gritei em passos arrependidos, empobreci sentimentos. Me perdi. Era casa descoberta de luz, fazia da escuridão meu ar, um olhar desconhecido, sem abrigo, distorcido querer. Embebedando minhas palavras. Não significavam. Apetecia-me apenas o que era espera, o não acontecido, o anteceder da decepção.

Milene Cristina

sábado, 25 de maio de 2013

Vejo cores

 

Encontro-me em um canto, cantando palavras. Meu silêncio é cheio delas. Cada letra é lágrima, à espera de um sorriso. Alimento minha alma, deixo a fome ao meu corpo. Meus pensamentos são inquietos, gritam em sussurros. Querem sempre mais espaço. A imaginação que consola quando em solidão, e na multidão vejo cores, letras maiúsculas, parada observo o vai e vem de vidas, muitas histórias imagino ser a minha.

Milene Cristina

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Da per_da


Me atrevi no tempo
acalanto em colo vazio
entorpecendo sonhos
estraçalhando vidros

Admirei o céu
fiz pedidos
esquecidos,
me esqueceram

Senti frio
fingi não querer
do que me aquecia
não há nada a dizer

Das palavras doces
que escolhi,
acolhi a menina
alegria fui

Aumentei o que era espaço
não chegava no abraço
do laço
meu traço
perdi.

Milene Cristina

terça-feira, 14 de maio de 2013

Foi


Tudo agora repartido, do que foi todo nosso mundo: distância. Apática saudade, lembrança apenas que trazia dor. Pouco sei daquele que foi amor. E de tantas despedidas já não havia o que dizer, nenhuma busca no olhar. Sem reconhecimento, pálido reencontro do acaso, tive uma intensa sensação de ter deixado vida passar em vão. Meu desejo era mesmo selecionar memória, não apagar. Apenas lembrar de quando era sonho bom.

Milene Cristina

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Engana-se...

    

Fingi pressa,
enquanto mente pra sua mente
e diz que vai chegar.
Engana-se em ter caminho,
prefere ficar preso aos espinhos
que já nem o ferem mais.
Sugando as possibilidades para o sofrer,
dispensando o convite do sorrir,
por não saber como lidar.
E no envolver de sua imaginação,
se vê na chegada sem sair do lugar,
passando vento, chuva...Vida.
E ele lá, parado acreditando lutar.
Não percebe que sua busca é por perder,
pois não conhece seu querer,
Segue em círculos,
desprezando todos sinais de avisos.

Milene Cristina

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Escolhi o entardecer


Não tenho aberto as portas para o barulho, minha alma pediu-me paz, atendi com compreensão. Era com sufoco que deixava os ruídos chegarem a mim. Sons que machucavam meus sonhos, mal dizeres de vozes cheias de tons de mentiras, vazias verdades, não havia razão pra deixar o volume alto do que se tornou pequeno pra mim. Não ergui muros, nem redomas, fiz apenas o pedido pra me deixarem a sós com o silêncio, faço prioridade em tê-lo em meu dia, como um retiro de tudo com face de nada, de vazio. Escolhi o entardecer pra esse espaço que abri, ouço ecos dessa quietude aguardada, como um fio em direção ao vasto lugar da mudança.

Milene Cristina