sexta-feira, 29 de março de 2013

Teatro


De inexistentes promessas, e a existência da ilusão que se oportuna de sua fragilidade em desconhecer-se, e o conhecer inteira de se dar em metade, não se deixando enxergar por não se reconhecer . Á tempos inventando viver pelo medo da vida, viu-se em saída "fácil" aceitar a entrega ao sonho encantado, inventar o perfeito, fazendo à seu modo os dias mais bonitos por trazê-lo ao cenário que montou.
Dirigindo sua peça de amor, escrita pela falta dele, com beijos marcados e saudades ensaiadas em exaustão. Temporada sem fim, insisti em nunca sair de cena.
 
Milene Cristina

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sem respostas


Do conhecer, só o imaginado sem desarranjo. O declarar dos segredos não revelados.  A amplidão criada na palavra lançada no coração em branco. Do amor, o encanto de amar sem saber por que amas.
 
Milene Cristina

terça-feira, 26 de março de 2013

Esperança


Me reinventar no que me é comum, aproveitando minhas faces que não se envergonham de serem minhas, fazer o secar, do que já se é seco, até levantar a poeira do adeus que liberta, cortando as arestas do desespero, do  auto-abandono. O multiplicar da esperança. Do seu verde ,várias nuances dessa força que é a última à morrer.
 
Milene Cristina

sábado, 23 de março de 2013

Prima egoísta

Sou filha do romantismo. Traços feitos de sonhos, de abandono em palavras. Tipo sanguíneo amoroso, quero sempre a calma de entendimentos. O desenrolar do destino em final feliz. Aprecio a espera sustentada por olhares sinceros, sem juras, sem cura, pois, não se foi ferida. A liberdade de dizer o que sente, sem invenções ( a convenção dos mentirosos). Às vezes saio com a paixão, prima egoísta; escolhe suas vítimas com sorriso doce, chegar discreto. De um dia pro outro invadiu todo o espaço. Dominando até a fome, normalmente à tirando do escolhido. Tirando sono, ao mesmo tempo que agrada com senhas de sorrisos no meio do dia e suspiros de saudade. Não se é mais seu, ela pega-o pra ti. Desmontando tudo, fazendo parecer amor. Mas não tem porto, vai sem avisar. Sem cartas, nem despedidas. Leva com ela promessas, o gosto do beijo, o abraço que pensava ser seu, o dia com a intensidade de um ano. É ótima em desempenhar seu papel. Então volto com ressaca de sua companhia.


Milene Cristina

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pecados..



Hoje resolvi sentir meus pecados de perto e declarar meus desejos todos no teu colo confessionário. Sinto inveja: de ser teu sofá, tua cadeira, inveja de ser teu ar. Inveja branda de ser palavra que sai da tua boca; apenas porque tocam teus lábios. Inveja branca, orgulhosa de ser eu, teu e tão somente teu; a te encontrar nas linhas da tua vida e nas curvas do teu corpo. Porque és poesia até nas compras do mercado; enquanto arruma nossos filhos pra escola. Quando toma em silêncio o teu café. Sou pessoa mais invejosa do mundo por qualquer coisa que habita tua vida. Por qualquer paisagem em que você caminhe. E tua pele combina com as paisagens que descrevo. Sou também luxúria: por me entregar às tuas cores e sentir prazer no teu sorriso, como vício a me escolher prisão em que feliz me entrego. Por isso, quero trocar palavras por silêncio de olhares cúmplices e desejos de bem perto; banquete de sentidos a querer beijos na boca e mãos quentinhas e brigadeiro de panela. Coração meu se veste de virtudes e minha carne se enfeita de boas fraquezas a evaporar minha postura de inocente e bom moço. Por isso sou nuvem, pedindo aos teus olhos atenção por me fazer exclusivo no teu céu. Porque sem teus olhos e sem presença tua, tudo o que é e tudo o que sou, deixaria de ser por falta tua a me admirar. Sem teu saber e sem você, nada sou. Sou gula: alimentar teus sonhos e comer do mesmo prato; a querer mais e sempre mais, te devorar toda e inteira.
 
De Guilherme Antunes Pecados A Ilha de um homem só

 

Inconstante ?


Minha agonia maior seria o sentido para o que escrevo. Mas alivia-me o desconectar das palavras, sentidos sem sentido. Sentindo um mundo dentro de mim. Enredo-me na confusão do que sou, me encontrando no vazio, os preenchendo com o que em mim já não cabe. Descubro minha fragilidade quando sinto-me forte. Não aturo nada absoluto, descarto certezas, atrapalham no meu conhecer. Busco pela busca necessito em tê-la perto, tirando-me do lugar incerto da comodidade. Mudo sempre os caminhos que tracei em dias programados. Faço de mim, minha primeira surpresa esperada, movimentando minha mente parada pelo trânsito constante de palavras querendo se juntar.
 
Milene Cristina

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fragmentos do amor I

 
 Hoje vejo que Ele é agregador de sonhos, mão encantadora, parceiro antigo da vida. Sem Ele não se vê o brilho; é se ver exilado em meio à multidão. Não reconhece sorriso, ou beleza no belo. É luta em vão, sem mãos ou braços pra se apoiar. É certeza do conhecer a tristeza, o seu contrário. O amor é o estar sem estar, é feliz em ser generoso, o abrasador de corações encontrados por Ele.

Milene Cristina

segunda-feira, 18 de março de 2013

Avassalador

 
Muito mais fácil o que antecede o acontecer amor. Escorrego sempre no passar do imaginar. Sou errante demais em equilibrar ciúme e confiança. Paciência se vai, ao piscar diferente dos olhos, nunca menos. Quero sempre o crescente, quero exagero de sentimentos, aqueles que eu escolher. Confesso, nem sempre fui assim. Fui transformada por um avassalador sentimento que passou por mim, certeza de que não foi o amor. Fui posse com meu consentimento, cheia de paredes ao meu redor, pela fresta via ao longe o começo de mim, e meu fim batendo em minha porta. Fui leviana em brincar de viver.

Milene Cristina

O amor não mais existe

 
Parece cegar-me com sua mudez, fazendo de atos repetidos meu abismo. Me deixas, sem desprender-me de ti, querendo reviver a dor, pois o amor não mais existe, e querendo o resgatar pisa na realidade .E com a maldade da negação faz de mim sua única alternativa de felicidade. Quero fugir, mais como me esconder do que fui, do que entreguei a ti. Minhas palavras saem da minha boca e mal entram em teus ouvidos, sua imaturidade as bloqueiam, bloqueando minha vida. És viciado em ter-me em suas mãos, já não as sinto mais. As mentiras suas, fez minhas verdades pulsarem mais forte em mim.

Milene Cristina

domingo, 17 de março de 2013

Do que pensava ser



Cheia de atos exigentes, vai até o fim mesmo em meio à dor, e errada segue atropelando seu coração inconstante, martelando as palavras sem sentido que desperdiça quando sem razão. Vai, se entristesse, esconde a tristeza  e desconhecida da alegria, a aluga por um dia exercendo talvez até seu lado bom, vê que o  mais árduo é aquela que foi antes do tal aluguel. Percebe o quanto é pequeno ficar só olhando pra si, descobre um mundo de pessoas sem exageros  na alma. Alí se encontra, chora em prantos de alívio, uma alternativa para o sofrer, é apresentada ao recomeço, e se desfaz do que pensava ser.

Milene Cristina

sábado, 16 de março de 2013

...

(...)  fazendo arranjos do pensar, enfeites discretos.
Sensíveis flores sem aromas de julgamento.
Só o cheiro da liberdade que se espalha em seu andar.
 
Milene Cristina

sexta-feira, 15 de março de 2013

Alegria

 
Com flor no cabelo,
 me vesti de sentimentos
 vou espalhá-los por aí.
 
Vou passando sem ficar,
companhia melhor não haveria 
Alegria  minha guia
Muitos lugares pra passar
 
Sigo enxugando lágrimas,
distribuindo abraços
 devolvendo brilho pra um olhar.
 
Dou carinho falo de mansinho,
calma mesmo que não perceba,
que não veja mais beleza em um pássaro à voar,
 
mande embora a tristeza, se arrume, vire a mesa.
 Seu amor tá pra chegar.
 
Milene Cristina
 
Sem ensaio de palavras, cantar meu amor em tom singular. Deitar em rede, singelo beijo, aproveitar o ensejo..Me declarar. E em cada feliz coincidência o reconhecer do esperado.
Pessoa, lugar, cheiro, mãos, olhar. Das mãos que escrevem.Carinho. Da boca, um breve sussurrar . Perceber que é amor e então feliz me calar .
 
Milene Cristina

Conduzindo os rios

 
Abençoado tempo que se ampliou enquanto caíam minhas lágrimas, desejei me notar.
Senti o essencial passar por mim, não movi nenhuma parte em meu corpo, pois precisava experimentar com exatidão tudo ao redor. Vi o quanto fazia do simples o mais complicado dos mundos. Minha dor me sorria, eu crédula em tudo que há, sorria de volta. Havia em cada transbordar dos meus olhos vários rios da minha vida, na maioria deles águas correndo sem mares pra se encontrar. Não falo aqui de tristeza, falo sim de clareza  revendo escolhas, talvez encontrar o mar. Conduzindo os rios...
A vida...
As lágrimas cada um em seu lugar.

Milene Cristina

quinta-feira, 14 de março de 2013

Meu roteiro falhou

Quem sabe se encontrarei ou não os pigmentos que procuro. Em meus panos comprados em sinceridade. Me cobram me prender à liberdade. Meu roteiro falhou, não conheci, não viajei. E nas esquinas que criei, eu elemento inicial. No meu compor, o amável crer, sem ele complica-se um simples caminhar. Em miniaturas vejo as expressões do meu rosto, em resumos abaixo me fazendo lembrar das inconstâncias. Enquanto me acuso, me dou o direito de defesa, reúno provas em meu favor. Me dou mais uma chance.
 
Milene Cristina

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alguém como o sol

 
Deixo tua fala me calar. Talvez assim me escuto um pouco, quero deixar essa mania de controlar o que não se pode, me consome ser assim. Quero abraçar tudo, acabo sem abraço. Meu problema é não saber lidar com imprevistos. Tento cada vez mais incorporar o que parece aos meus olhos o melhor para meu bem estar. Ando me esquivando de perguntas repetidas de histórias já esquecidas. Sou indefesa quando amo, acho que é uma forma de me defender, me mostrar frágil.
Dói meus ouvidos, quando me diz como ser ou agir. Ouço mais não concordo, me dê sua opinião, faço dela o que quiser. Tenho paciência pra me desvendar sozinha, mesmo em dia nublado ainda sim sei que o sol está lá. Quero alguém como o sol, mesmo de longe, sempre está lá, se fazendo presente.
Meu estoque agora é de paz, por ela todas as outras coisas.

Milene Cristina

terça-feira, 12 de março de 2013

Sinais


Inclui em meu dia lembrar teu sorriso, como repetir o aquecer do sol. Apesar de tão distante do meu mundo, mais de tão profundo meu querer ando pintando você em meu viver. Na aridez dos meus dias, chega à mim teu olhar buscador, inquieto, o descobridor do desconhecido. Não quero que me deixes te conhecer inteiro, quero que os sinais me guiem. Mande cheiro, palavras, silêncio. Tenha em ti um pouco de mim.
 
Milene Cristina

segunda-feira, 11 de março de 2013

Palavras repetidas III

 
A voz antes doce aos ouvidos. Hoje barulho repetido de escolhas sem sentido. Não quis deixar minha essência. A entreguei de forma errada pra um tempo incerto , inventada história, só queria me resgatar. Sempre com essa ideia de me encontrar no outro. Nunca vi tanta loucura.
Sou atrapalhada,amorosa, exagerada nos detalhes, distraída para o óbvio. A perfeição para o erro. Sou a avessa procurando pelo certo, sempre abrindo os segredos do espelho.

Milene Cristina

sexta-feira, 8 de março de 2013

Compatível

 
Sempre fui do silêncio, pois quando falo, sai tudo o que há em minha alma. E não se pode deixar-se tão vulnerável assim. Mas o que faço se não gosto de escolher palavras, costumo ser eu, mais só entro se convidada. Não invado, chego quando necessário. Por isso observo, acumulo.
Faço da incompreensão, o momento de me mostrar. Sou complexa e simples, sonhar é minha maior realidade.

Milene Cristina

Papel em branco


Fui deixando meus pedaços pelo caminho.
Fui metade, fui inteira.
Hoje tento a reconstrução,
um lado novo em mim.
Sou melancólica,
 meu maior defeito!
Gosto de antigos papéis, antigas músicas
 e o que sinto quando as ouço,
 apegada em antigos hábitos.
Até do desapego repentino.
Viciada em palavras, e no tom que são ditas
Sou amiga da saudade, me acostumei
em tê-la comigo
Muitas vezes sou ingênua
Deixo-me pequena
Deixo situações me engolirem
Depois as transformo
Quis ser professora
sonho de criança
Fui ser voluntária
dar amor é receber
Gosto de cores, de novos amores
de inspiração
Da escrita sem razão
preencher papel em branco
em pranto, em verso
alegria
passando os dias
inventando o amor.

Milene Cristina

Cora Coralina

"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
... renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar."

 
Cora Coralina
Fonte:Elfi Kürten Fenske

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vãs
todas as coisas que vão.
 
Paulo Leminski

Por enquanto



Fabulo o amor que espero, incluo dos que tive aparo montando castelos, me vendo em sonho real. Focalizo nas imagens pintadas com o melhor carinho que tenho à mão. Flutuam os abraços, no chão os pés da procura em seu ponto de chegada. Faço explícita a vontade do beijo, explorando o sentir do momento. Desinquieta deixo as palavras livres, tomando seu lugar, fazendo sólido o imaginar. Posso sair ou permanecer, por enquanto escolho ficar.

Milene Cristina

quarta-feira, 6 de março de 2013

Eu e a ilha

 
Seguindo os escritos
Deparei-me com uma ilha
me senti pequena
talvez por sua imensidão, como me tomasse pra ela
Um mar com cores fortes
Podendo tudo se enxergar
Decido por mergulhar
Num mergulho despido de medos ou receios
Senti as dores
as esperas sem chegada
Ou até saudade boa de sentir
Com amores suspirei
Muitas vezes acalmei meu coração desalinhado
Sempre em sentido contrário
Navegando em barco leve..
 desprotegido
O escrever. Minha terra firme
Percebi que sozinha na ilha
Acompanhavam-me as palavras
 não me deixando afogar.

Milene Cristina

terça-feira, 5 de março de 2013

Apelo


Nas mãos carinho,
passarinho aprendendo a voar
Nos braços, proteção..calor
o pulsar do peito, a certeza do lugar

No olhar, alegria, como o nascer de um novo dia
fazendo tudo ao redor mais claro e bonito
No corpo a vontade de estar em dois
nada por passar, nada pra depois

Coração... Esse sempre sem razão
entregue, cheio de espaços
pronto pra serem preenchidos
bagunçados
A organização dos apaixonados

Toma-o pra ti
não tenho medo
o meu apelo
é por me amar.

Milene Cristina

segunda-feira, 4 de março de 2013

Encontro

No nosso enlace, não precisaram palavras, tudo ao redor falava por nós. As folhas levantadas pelo vento eram nossos passos e o mesmo vento nos abraçava com leveza. Avistei de longe quem tanto esperava, fazia meu caminhar bem lento pra que não perdesse aquele momento, ao mesmo tempo o apressava, solidão finda, o encontrar de bocas, de abraços, o olhar perto mergulhados um no outro. O parar do tempo, e um novo ponteiro no relógio de nossas vidas.

Milene Cristina

sábado, 2 de março de 2013

Caminho certo

Clara noite, expedição escura em meu ser, nesse processo raízes produtivas outras sem cultivo.
Me vejo quase como um milagreiro, em meio ao breu, cruzando as matas fechadas dos sentimentos. Passo pelos zumbidos assustadores dos insetos inseguros. Faço-me  estátua pra que não me vejam os animais selvagens da raiva, do ciúme. Vou indo com uma mochila esperançosa, cheia de primeiros socorros para a tristeza ou solidão. Vou cortando as ervas daninhas da desilusão..Do desamor. Decido por um instante de descanso, me banho no rio claro do olhar de mãe, e volto a me explorar. Vou seguindo. Já não está tão escuro.  Consigo avistar os pássaros cuidando de suas moradas nas árvores da alegria, invade meus olhos os raios de sol do perdão, tudo melhora ao redor.
Chego em uma estrada de terra, longa..Não se vê seu final, apenas placas de avisos, me parece sempre estiveram por alí. Indicando: Caminho certo, vá em frente...Siga seu coração.

Milene Cristina

Soneto a quatro mãos



Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano

Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

 Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos

 Fonte: A Magia da Poesia_ Vinícius de Moraes Poemas de amor à mulher