terça-feira, 14 de maio de 2013

Foi


Tudo agora repartido, do que foi todo nosso mundo: distância. Apática saudade, lembrança apenas que trazia dor. Pouco sei daquele que foi amor. E de tantas despedidas já não havia o que dizer, nenhuma busca no olhar. Sem reconhecimento, pálido reencontro do acaso, tive uma intensa sensação de ter deixado vida passar em vão. Meu desejo era mesmo selecionar memória, não apagar. Apenas lembrar de quando era sonho bom.

Milene Cristina

9 comentários:

  1. Muito bom para variar. Tem estilo, sabe usar as palavras.. Parabéns.

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  2. Seria tão mais fácil se a vida nos permitisse certas escolhas, né? Mas, não permite. Temos que lidar com cada acontecimento e tudo, depois de um tempo, se torna aprendizado. E acabamos nos tornando grandes na nossa humanidade, coisa que anda em falta nos dias atuais. Bom te ler. Primeira visita, pretendo voltar.
    Seria um prazer te receber no meu cantinho, também falo de saudades, de partidas, de amores...

    beijos,


    Pequena - http://pequenapraquemve.estouroempalavras.com/

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  3. Encántame o comezo: "Tudo agora repartido, do que foi todo nosso mundo: distância" Porque ó botar a vista atrás iso é o que parece quedar soamente: distancia. Todo canto queda no recordo parece irreal, coma se non tivese sucedido xamáis. Coma un estraño soño. Coma un eco lonxano. Dúas tazas de café, soas, fronte a fronte, e dúas miradas baleiras que soamente miran ó chan.

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    1. Como um eco do adeus. Abraços. Obrigada sempre pelos comentários.

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  4. Gosto da concisão que encontro por aqui.

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  5. Seria tão bom, né?

    "E de tantas despedidas já não havia o que dizer, nenhuma busca no olhar"

    E há quem faça disso costume...

    bjos

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  6. A vida tem dessas ... quando o amor acaba já não nos vemos no olhar do outro e nem o reconhecemos.

    Me veio na cabeça a música do The Killers, "For Reasons Unknown":

    "Well my heart, it don't beat, it don't beat the way it used to
    And my eyes, they don't see you no more"

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  7. A capacidade de selecionar memórias... Seria fantástico. Mas o bom é que as lembranças ruins servem como uma pequena lição a cada dia. E, então, ficamos mais fortes...

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