sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

...e nada lhe interessa

Ingênua
Caída no silêncio
e nada lhe interessa .
Só o impossível te abastece
Mas nunca o tens
Do talvez se alimenta 
Encara esses teus olhos
Te aguarda o espelho
Sei .
Que tua verdade
É não ter vaidade
Passeie  em tuas vitrines
finja que nada ofecerece .
Apaixone-se  pela foto
Enquadrando teu vazio
Confesse
Nenhum destino lhe convence .

Milene Cristina

sábado, 21 de dezembro de 2013

Só o saber
Do nada
E desse mesmo nada
Querer
Saber
O por que
Do só
Do nó disfarçado
Das perguntas
que não mais esperam
respostas
São só
Pra tapar o vazio
Do ponto final
Do sal
Da lágrima
Que não chega
Inventa ser só
O alívio
De um destino
Cheio
Num calmo desespero .

Milene Cristina

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Instante

Cristais
Estou através.
Comemoram meus olhos
Bebo lágrimas
Um brinde ao que faltou.

Borbulham os desejos
Ainda...

Vermelho
Um gelo
A queimar o espelho
Não esconde meus segredos
Tontos .

Embriaguei-me de ti
Investi
Suguei teu doce
Até não ter mais gosto

Espreguiçando meu perfume
Durmo
Foi um sonho que bebi .

milene  cristina

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

...busca

Busco nas tardes
as palavras
Para quem sabe amanhecer
Pois, sou sede
de amor
Bebida de dor

Na flor sou corte
crescer
murchar
Quando o tempo
faz-me suspirar

Já fui asa
Voando em curvas
debruçada
nas fundas janelas
das vontades que não sei
Que guardei
E esqueci de lembrar

Rasuras
ternura
a queimar
nas fotos
que não pulsei.

        Milene Cristina

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Descaminhos

Nada sei da mansidão
Pensava eu ser tua filha
Caminhei em tuas estradas
Amadas lembranças.
Mas, em uns dias
Fez-me atalho a agonia
E minha alma
Fragmentou-se
Nos largos
Espaços de mim.
Meu silêncio
Que era antes calma
Transformou-se
Num constante vazio
Vizinho à dor
Que falta faz-me amor.
Reconheço a saudade
Na metade que em ti deixei
Estou em descaminhos
Relutando o encontro
Comigo.
Convívio
Que apressa o esquecimento
Vivendo em busca da vida
Que a antiga
Foi partida.

    Milene Cristina

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Breve encontro


Moça por que choras?
Vejo as lágrimas
secarem teu rosto

Não vês?
Perdeu-se de ti

Quebre seus muros
Deixe um pouco de sonhar
Não é só flutuar
a vida

Distraia teus enganos
Tens um punhado de promessas nas mãos
O cheiro do teu perfume
lembrando amor do passado
Deixe-o passar

De uma cor indecifrável são teus olhos
Traga a cor da tua infância
Tome um gole daquela que um dia foi.

Se te encontras ao ferir a ferida
Mergulhes no absurdo
Mas seja breve
Salve-se
Olhe para fora
saia de si.


Milene Cristina

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Desconhecido

Nem nas minhas tantas ilusões
o imaginei.
Foi num dia com cheiro de paz,
apesar de ventos a soar tempestade.
 
Por  detrás de armários,
passos a trazer barulho arrastado,
a cansar meus ouvidos.
Junto à voz de um homem
em tom de menino.
Fez-me iluminar por dentro.
Nem pensei em seu nome. 
Tornou-se parte de mim.
 

Milene Cristina

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

...amei


Aprendi ao arrancar-te de mim,
estar  entregue
à dor desconhecida.
Sem mensurar
o quão seria.

Sem olhar,
sem alagar minhas culpas
juntei-me.
Exerci a ideia
de voltar para o que deixei

Fui
quando ainda havia amor.

Milene Cristina

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Arrepio

.
.
Fervilho anseios,
Festejando o amanhecer que não nasceu.
Do amor que disse adeus sem partir.
Rosas por receber.
Feroz solidão
Por que me faz ingerir esse arrepio seu?

Milene Cristina

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Estranha


Validei-me em teu amor, ignorei meus olhos que eram tons de sonhos. Fui dança em teus passos. Embaracei meus cabelos ao pensar em ti. Um domingo inteiro seu. Fiz horas com seu nome, meu chamado mudo. Li poemas doces, mas não encontrei seu amargo amor. Não chorei. Deserto. Pressentia paisagem ao ouvir tua voz. Jeito estranho de amar. Não era o coração. Era razão inventada. Um nada a tomar-me . Engolida sem receio. Sinto-me agora uma estranha a mim, por não mais te amar.


Milene Cristina

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Doce estupidez

Do enjoo
à euforia da mudança
açoitaram-me essas palavras minhas
gêmeas sem cor
Você. A causa
dessa náusea
que hoje me liberta
Não quero mais que me empreste
seu olhar
essa proposta de saudade
Não me inspira
sua mania de estar em mim
Meu grito
não mais sussurra
Fui burra
doce estupidez
Lapidei meus restos
indigesto movimento
a vomitar passado
estradas tontas
tortos passos
Deixo por terminar os versos
antes que volte
a me jogar
em seu abismo comum.

Milene Cristina

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Superfície

E no peito antes sereno
um habitar de amor faltando
roda entre fios de vontade
sem verdade alguma
sem rumo, floreando dor
expondo lágrima sem gosto
existindo em rosto pálido
sendo foco de palavra pouca
e a voz antes rouca
se cala
se amarra no olhar sutil
nesse extenso e amarelo frio
dissolve sonhos
faz seu leito
na superfície do amor.

Milene Cristina

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Do adeus


Tropecei no sonho
abandono em ilusão
Arranquei sorrisos
do que não vi
insisti
levei;
Abracei coração
sem dono
escolhendo o caos
Falei
quando as palavras
não eram meu sentir
E calo
diante do amor que se foi
quando o adeus traz silêncio
Adormeço
pra novamente sonhar.

Milene Cristina

terça-feira, 23 de julho de 2013

Quem sabe...



Há sentidos em mim tão profundos, dores minhas inventadas. Agonizo em pensamentos. Círculos em mim. Não dou chance à felicidade tão desconhecida em meus dias saudosos do meu olhar. Arrisco uma ou duas tentativas para o amor, mas logo canso e volto pro descanso em meu corpo viciado em medos só meus. Penso exageros do meu eu tão perdido. Tudo parece agredir meu mundo, minha escolha pela busca de algo que não sei nome, se irá valer a pena essa despedida insistente do meu rosto quando nada falta. Peço ao silêncio que não me deixe tão entregue a ele. Pois, refúgio não é calma quando se torna costume. Quem sabe interrogue aquela que fui, em um raro momento de entrega.

Milene Cristina

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fomos



Amor...
escrevo, para renovar meu passado que mal passou. Me desmanchando no silêncio, recompondo. Visualizando a cor dos dias perdidos num branco querer. Respiro minha pausa, sendo meu alvorecer. Lembrança à passar  o que foi antes horizonte. Rabisquei meus passos na junção de nós. Grãos de areia. Nós mudamos de lugar, nada mais azul, nem o (a) mar que nos levou.

Milene Cristina


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Deixo

Saudade...
porque se perdes no vento da tarde
alimentando lágrimas
mesmo quando o dia sorri pra mim
Dispensas afeto,
pois não é teu querer
escolhendo aconchego
diminuindo o viver

Faz da dor
antes apenas no peito
se espalhar corpo inteiro
Se deleita em teu lugar
Absorvendo qualquer motivo
de sonho
de haver algo bom
sem você a me embriagar

És forte
insistente em lembranças
parecendo dança
sem sentir
deixo então me cercar

Milene Cristina

domingo, 14 de julho de 2013

Confissão

Gosto do cheiro e do gosto da falta
do olhar perdido na janela
criando espera
compondo saudade
Gosto do vento que sussurra sentidos
quando a tarde se despede
e me pede sem palavras
Gosto de respirar silêncio
escutando os passos
do abraço a chegar
Gosto de sentar-me num banco
dissipar pensamentos
enquanto confesso ao tempo
que nada sei sobre o amor.


Milene Cristina

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Doce amargo


Balanço aquele amor ninando a saudade. Deixando o beijo guardado enquanto ainda sinto teu gosto. Oposto meu, por que és o reflexo em meu espelho ? Expresso minha dor dizendo não aos seus sorrisos provisórios, querem sempre me calar. Vou. Revejo as palavras que não deixei esquecer, e a caixa do futuro de nós continua lá, alimentando esse presente meu. Não é você meu destino, é o alucinar do meu dia, a promessa refeita. Tem o doce amargo de uma noite de chuva .

Milene Cristina

domingo, 30 de junho de 2013

Seu eu em mim

Ouço o barulho do relógio
mais não estou no tempo
Flutuo, questionando tudo ao redor
Sei De cor minhas respostas
vejo entornar minhas palavras.
 
Quero outra visão
a opinião do teu olhar
que sempre teve os pés no chão.
Traz meu café amargo
me entrega doce de tuas mãos.

E junto, tua diferença que me incomoda
que assola minha mania de sonhar
Vem. Interrompa meus passos
sem caminho certo.

( Desconversa fazendo correr devagar meu dia,
   curando minha intensa busca por amor)

Milene Cristina

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Melancolia



Tento iluminar nossas palavras que nada respondem, agradando o que nos trouxe de bom, evitando machucar nossa história com as mentiras que foi consolo. E nesse insistir incompleto, percebo que o encanto foi embora. Silencioso abandono. Ah! Quanto mais direi desse amor? Melancolia cansada, já não me quer com ela aqui dentro. Me entrego à saudade deitando-me em meu vestir avesso, meu disfarce de amor que está para chegar, faço novo o velho querer do abraço , só nele me encontro.

Milene Cristina

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Penar


Que pena...
o que não foi necessário
levar...
Se me fiz pequena
se fingi ser serena
minha vontade de amar...
Que pena...
os desperdícios
os vícios
que em nada me consumiam
nem extrema alegria
quando meu corpo
nada pedia
nem o namorar com a tristeza
nenhum contorno sedutor da vida
Que pena..
Ingênua ilusão
que nas horas do dia
toma-me toda
me desmonta
afronta a teimosia minha
de negar.

Milene Cristina

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Admiro o sofrer...


Sou o pingo que insisti em cair
mesmo com o cessar da chuva
Sou curva que em nada chega,
linha reta da incerteza
Sou abraço preguiçoso,
ansioso em receber
Sou o ter invisível,
indisponível querer

Tenho em mim manhãs
de noites mal dormidas
Investidas no nada
em inventadas palavras de amor
Tenho a dor em meus caminhos
Desalinho constante
como um troféu em uma estante
Admiro o sofrer

Sou calma menina sem brilho nos olhos
sempre a procura do que procurar
Se amarro ou se solto
Amarroto,
fingindo não ver o que  foi
Insistindo em encontrar

Em mim saudades
que não passam
ultrapassam
me enlaçam no passado

Há cuidado
exagerado
encostado
ali guardado

Onde escondo
 o que em mim
 não encontro

Num lugar que não sei como chamar.


Milene Cristina


sábado, 1 de junho de 2013

Aquele estranho


Avanço no descanso
onde batem todas as asas
que abrasando
me abraçam

Instinto carente
exigente em ser
arriscando
em teu amor
me perder.

E do cansaço
de outrora
acho graça
invasor de mim.

Prefiro esse exagero
não mais pertenço
ao pouco
ao outro
aquele
estranho
ruim.

Milene Cristina

quarta-feira, 29 de maio de 2013

E o que deixou



E no debruçar das lembranças, vou além das distâncias. Estão todas aqui, imploram para que diminuam, e então me perco em atalhos infantis realizando minhas promessas. Ergo-me para ver se enxergo o que foi desejo, minhas invenções me observam enquanto sou eu o olhar que procura. Há misturas, faltas, abismos incompletos completando minhas incoerências. Me faço borracha em vão. Não se apaga o que viveu e o que deixou. Assim, quero me emprestar ao lápis, quem sabe uma nova história . Meu contexto: A paz.

Milene Cristina

terça-feira, 28 de maio de 2013

...

 
Vento agradando
o tempo
pedras pressentem
mudança
.
.
.
tá chegando visita:
 És querida Esperança!!
 
Milene Cristina
 
 
 

Mês de maio


Agarrei aquele presente mês de maio com encanto, era sopro novo de não saber amor. Ocultava minhas palavras. Só conseguia sorrir. Provava seu gosto por ser o oposto meu. Desejava, por não saber, total desconhecimento de ti, minha atração era seu jeito estranho, mais tentava conter , eu era janela fechada, não muito me arriscava  olhar a paisagem. Medo do ilusório. Mais sua natural entrega não me deixou escolha, escolhi por nós.

(...) tornei-me anjo, foi minhas asas. Hoje é saudade

Milene Cristina

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Abraçando o frio


E o que faço agora
se tudo demora
há horas em mim

Desfechos intermináveis
escolhas sem opção
talvez me encolha
talvez recolha
tudo o que for
não

Remediando
odiando
adiar,
armar-me em renúncia.

Pronunciando
os olhos tristes
amortecendo

envelhecendo
sonhos.
abraçando
o frio

invadindo
o vazio
que quer
se evadir

chegando ao fim.

Milene Cristina

domingo, 26 de maio de 2013

Meu ar



Daquele amor permanente , escalei minha dor. Habitei em desatinos, fui ao fundo deixando meu mundo ao entrar no seu. Fui feliz mesmo quando em lágrimas, arrastava sorrisos, inventando abraços todos pra mim. Fiz-me mulher e voltava pra casa menina, com meus medos só. Me julguei. Gritei em passos arrependidos, empobreci sentimentos. Me perdi. Era casa descoberta de luz, fazia da escuridão meu ar, um olhar desconhecido, sem abrigo, distorcido querer. Embebedando minhas palavras. Não significavam. Apetecia-me apenas o que era espera, o não acontecido, o anteceder da decepção.

Milene Cristina

sábado, 25 de maio de 2013

Vejo cores

 

Encontro-me em um canto, cantando palavras. Meu silêncio é cheio delas. Cada letra é lágrima, à espera de um sorriso. Alimento minha alma, deixo a fome ao meu corpo. Meus pensamentos são inquietos, gritam em sussurros. Querem sempre mais espaço. A imaginação que consola quando em solidão, e na multidão vejo cores, letras maiúsculas, parada observo o vai e vem de vidas, muitas histórias imagino ser a minha.

Milene Cristina

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Da per_da


Me atrevi no tempo
acalanto em colo vazio
entorpecendo sonhos
estraçalhando vidros

Admirei o céu
fiz pedidos
esquecidos,
me esqueceram

Senti frio
fingi não querer
do que me aquecia
não há nada a dizer

Das palavras doces
que escolhi,
acolhi a menina
alegria fui

Aumentei o que era espaço
não chegava no abraço
do laço
meu traço
perdi.

Milene Cristina

terça-feira, 14 de maio de 2013

Foi


Tudo agora repartido, do que foi todo nosso mundo: distância. Apática saudade, lembrança apenas que trazia dor. Pouco sei daquele que foi amor. E de tantas despedidas já não havia o que dizer, nenhuma busca no olhar. Sem reconhecimento, pálido reencontro do acaso, tive uma intensa sensação de ter deixado vida passar em vão. Meu desejo era mesmo selecionar memória, não apagar. Apenas lembrar de quando era sonho bom.

Milene Cristina

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Engana-se...

    

Fingi pressa,
enquanto mente pra sua mente
e diz que vai chegar.
Engana-se em ter caminho,
prefere ficar preso aos espinhos
que já nem o ferem mais.
Sugando as possibilidades para o sofrer,
dispensando o convite do sorrir,
por não saber como lidar.
E no envolver de sua imaginação,
se vê na chegada sem sair do lugar,
passando vento, chuva...Vida.
E ele lá, parado acreditando lutar.
Não percebe que sua busca é por perder,
pois não conhece seu querer,
Segue em círculos,
desprezando todos sinais de avisos.

Milene Cristina

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Escolhi o entardecer


Não tenho aberto as portas para o barulho, minha alma pediu-me paz, atendi com compreensão. Era com sufoco que deixava os ruídos chegarem a mim. Sons que machucavam meus sonhos, mal dizeres de vozes cheias de tons de mentiras, vazias verdades, não havia razão pra deixar o volume alto do que se tornou pequeno pra mim. Não ergui muros, nem redomas, fiz apenas o pedido pra me deixarem a sós com o silêncio, faço prioridade em tê-lo em meu dia, como um retiro de tudo com face de nada, de vazio. Escolhi o entardecer pra esse espaço que abri, ouço ecos dessa quietude aguardada, como um fio em direção ao vasto lugar da mudança.

Milene Cristina

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ao abrir a janela


Embrulhei cada pedaço do que foi decoração. Me desfiz daquele quadro que por muitas vezes parava em frente imaginando estar ali, felicidade eternizada. Do lençol , vazio corpo. Pedrinhas da viagem, pedaços do que foi história. Nas fotos do nosso quarto, o retrato, um instante na estante, aquele sorriso era eu. Vi desfiar a cortina branca, não querendo tapar o sol, parecia querer mostrar algo a mim, pois naquele momento via tudo em preto e branco aos poucos se apagando, não sei, sentia como se não mais existia. Mas mesmo diante a fuga de enfrentar tudo aquilo, precisei continuar, dor maior era voltar atrás, insistir no que foi. Renasci um pouco ao abrir a janela, havia cor lá fora.

Milene Cristina

domingo, 28 de abril de 2013

Pele


Naquela pele, onde em cada poro havia um pouco de amor, onde queimava em noites frias, esfriando-se quando o dia pedia lágrima, quando a dor latejava seu costume de alegria. Sentia abraços constantes mesmo estando só, muitas vezes foi sua própria companhia, era sensível diante a solidão, arrepiando-se em pensar não mais se arrepiar, não mais macia correr nas mãos , não mais vestir o leve, não mais breve aconchego ao cansaço alheio. Percebeu-se seca, não mais dourar do sol, nem mais o molhar da chuva. Era apenas pele sem amor.

Milene Cristina

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Habitar


Me acolha, recolhendo os abraços das manhãs,
me exponha nesses tantos vazios nossos,
observe meus olhos baixos por pensamentos nas alturas,
doe seus passos passeando em minha dor.
Abri-me em coração sem censura,
me tomando em ternura, fazendo louca a sensatez.
Ouça-me falar do mar, onde havia o céu de dois.
Me cale agora, descansando no que hoje fiz meu habitar.

Milene Cristina

                                                                         

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Nada pergunto


 
Hoje o tom é azul, saudade amarelou-se, cor sem vida, sentir que nada traz. Prefiro essa cor de céu, da paz que enfim fez em mim seu pouso, senti várias vezes seu vôo sobre minha alma, que me agarrava fazendo tudo se desprender, fazia que não via, desviava o olhar pra evitar o meu encontro. Mais que alívio entregar-me, o inaugurar em me ter nas mãos. Mesmo que seja apenas horas, nada pergunto, deixo-me sentir.

Milene Cristina

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Que voem voltando

Instalar a liberdade das palavras, que voem voltando . Chegando ao fim, onde tudo começa, querendo  em mim suas entregas, sem perguntas, me agradando as respostas mais absurdas, absorvendo meu vazio, trazendo a paz da inquietação. 
Milene Cristina
 

domingo, 21 de abril de 2013

(Des) ilusão


O vento que sai levando as folhas, trazendo o que não deixo esquecer, lembrando dor já sem nome, cessando o que é bonito, fazendo da cor mais viva, a mim cinza parecer. Não florescem meus dias, do que é noite faço dia , intermináveis as horas estendendo essa demora em mim. Minha voz já rouca pela fala interrompida, ampliando o opinar alheio. É um imenso sentir do que não sinto, esvaziando o vazio, infinito querer pelo desconhecido. Me repartindo nas faces que me cabem por falta de opção. Estou avulsa na terra da ilusão, me apegando a qualquer palavra que escuto passar.

Milene Cristina

sábado, 20 de abril de 2013

Disparada

Encolhida sobre a mesa, dividida entre a noite e a manhã, perdida no aperto vão de sua vida torta, entortando as respostas e entregas descabidas, nada cabe, nada sabe, invadindo sua multidão de nãos, se esvaiem as lágrimas, enquanto dá adeus ao sorriso forçado. Quer se despir, quer se vestir com outras vontades, saindo em disparada de si, correndo pro seu desencontro já tantas vezes adiado. Quer respiro em outros ares, novos tombos, com mudança ao levantar. Vai em busca do sossego ...Não quer calma, quer apego no que falta, no que ainda possa encontrar.

Milene Cristina

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Identidade

 

Esquentando o café pela manhã, posso ouvir o barulho da minha pressa, agonia por me tomar, reconhecer meu nome, minha identidade discreta, inquietude que me invade sem mudança. Sou discordância toda certa, absoluta decisão do talvez, onde sempre volto atrás recomeçando muitas vezes, me tornei refém do recomeço, com um círculo vicioso de buscar-me noutro rosto, outra vontade, por que a minha não sei . Tenho em meu nome composto, composição insatisfeita com o que vejo e não enxergo no espelho. Exagero de sonhos, entupindo a realidade que faz de tudo pra chamar minha atenção. Estou atenta, mais olho o outro lado, com olhos embaçados, propositalmente distraídos. Estou chamando por mim e não respondo.

Milene Cristina

quinta-feira, 18 de abril de 2013

...

(...) nesse momento,
o que era intenso,
fez-se nuvem do que eu não sei.




Milene Cristina



Hóspede

 
Quero me hospedar em girassol sempre a buscar pelo sol, e nas páginas do livro viajar, me inserindo na história, fazendo hora no que foi marcado da leitura noturna, pois não adormecem os sonhos do querer. Ser o pingo d'agua constante, fazendo mudar a rocha, melodia da insistência sutil. Me preferindo vento de verão, que se levanta alegre por gostar de seu papel no tempo.Ou quem sabe, ser a janela da menina, que sorri com os olhos, pois desenha a paisagem com seu imaginar . Ser então o inesperado, chegar sem aviso, mais com flores nas mãos, carinho nos olhos de saber lugar certo, por ser você quem eu esperava, quem guardava no tesouro do amor reconhecido , onde a alegria nunca folga, lugar esse, que não  rejeita a tristeza, tudo bem, a deixamos passar. Já acordada ,volto para o que nesse instante eu sou, um pouco dessas palavras, a vontade desse amor.

Milene Cristina

terça-feira, 16 de abril de 2013

Nossa dança

 
Falava baixinho
no ouvido da memória,
daquela história
que permaneceu.
 
Culpava
meus horários dispersos,
meus olhares incrédulos
na mansidão de seres meu
 
Aguçava
a solidão culpada,
remexendo o baú do ciúmes,
um museu do que faltou.
 
 
Respondeu-me com pergunta
feito brisa e carinho
levemente,
também baixinho
Somente isso o que pensou?
 
Me dizia
por que me esquecia

das noites
e chegada com flores,
envolvidos
em perfumes de amores
o fim da saudade
com o começo da tarde.
 
 
Sorri.
como dissesse em silêncio,
Tens sempre razão
feliz
eu me rendo,

 
Trouxe-me
as lembranças
do quanto fomos inteiros
esquecendo meus devaneios
 
quando me pegava aflita,
pois sofrer não mais havia,
sendo tudo tão completo
não sabia o que lhe dar.
 
Disse então que me acalmasse,
conheceste enfim
o amor
não há o que explicar.
 
Milene Cristina               

Do pouco

Adoço o que há de amargo do destino que negamos ser o nosso. Ouço promessas sem sentir, os que prometem nada me dizem. Coloco flores em cantos vazios, me preenchendo com o belo, a beleza do que é natural. Escolhendo o que abraçar, se o real ou o fácil imaginar. A fragilidade machuca meu lado forte, desinstalando meu querer. Abuso do silêncio, lugar que prefiro em mim. Muitas vezes me vejo cansada da calmaria que fiz decreto. De manhã posso ter certezas antes nunca aceitas, ao cair da tarde a certeza de que não sei quem sou. E é tudo tão profundo, difícil o alcançe, estou sempre em busca do que guardei. Vejo com fascínio os que se entregam, que se encontram sem a procura, se deixam encontrar. Procuro o instante do amor, que faz a mudança ao redor, pois já fez morada por dentro. E no agora, meu possível é aproximar o tudo ainda suspenso, do pouco em que me faço.

Milene Cristina

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Havia beleza

 
E é bem vindo o nascer do sol,
depois do adeus que dei as lágrimas.
Havia beleza, enquanto lavavam minha alma,
que passa a barreira de ser sensível.
Eram belas, pois limpavam-me do que havia de ruim,
e com os olhos mais limpos pelo banho tomado,
destacava o que não mais via de bom.
O consolo verdadeiro de se repor.
Reencontrei a vontade de amar
perdida nos amontoados de enganos conscientes.
Me vi ingrata nesse momento,
ao desprezo que entreguei ao amor,
que por ser paciente estava à minha espera
e nada cobrava.
Sabia de cada passo que dei contrário à Ele,
mais estava o tempo todo em meus caminhos,
me espanta como fiquei cega com a poeira cinza da negação.
Não vou lamentar, estou inteira,
por esse encontro que aguardava sem saber.

Milene Cristina

sábado, 13 de abril de 2013

Eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

 
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...

 
Sou aquela que passa a ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca
 
(Florbela Espanca. Do livro de Mágoas-in Sonetos Amadora, Portugal-Bertrand. 1978)

Fogo

Do fogo que consome meu frio, retiro a fascinação

No fundo a voz. Não mecha com isso menina
vai queimar sua mão
Melhor seria, que o arder fosse apenas em carne
Logo passa
Queimei os profundos sentimentos que guardava,
proteção sem valia
Que de tão fria, se agasalhou em quentes braços de palavras de faces brandas,
que descançava em varandas de verão.
Abrasou em exagero,
da porta aberta do lar antes inatingível.
Apenas chão.


Milene Cristina

Da resposta

E no amanhecer da dor, que findou-se ao florescer da resposta ao pedido feito em silêncio. Oportuno amanhecer do sol, que havia se escondido em meu nublado coração, acostumado em vestir-se com roupas que não lhe cabe, beijos não seus. Sinto-me aliviada por poder continuar com a mania de usar o não como escudo. Reconheço. Não sei lidar comigo mergulhada em paixão. Costumo perder o rumo, dar corda ao ciúme, exagerar em abraço, não o deixando ir. Me prendendo em vazias palavras, mantidas por vaidade, vontade que fosse saudade. Verdade de quem ama. O gritar de gestos incoerentes, implorando, pra que me deixes ir.
 
Milene Cristina

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Entrega inocente

Dos ventos febris de corações sem encontro, aguarda-se enganos e planos ainda em papel. Do véu, apenas o branco, uma porção do amor. Particularidade encontrada ao lado. A intensidade do pouco, avistando os fragmentos do amanhã. No pedido, a entrega inocente do agora, deixando-o passar sem perceber.

Milene Cristina

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sobre o tempo...

 
(...) és misterioso por ser claro e indefinível, por ser nítido e não vestir forma, por te sentir quando a mim não me toca. Faz do passado encontro e aconchego, jamais morada. Envolve-nos em tramas e temas entre os dias e entre as horas, minutos e incontáveis possíveis. Tu és também o vento, pensamento, o velho e o novo; filho do eterno que aguarda nossos domínios. És a glória dos reis e a queda dos reinos, o senhor dos destinos, palco de desatinos, mestre dos desapegos, a fome a empoderar desejos, testemunha de nós. O escritor silente presente à beira dos abismos, pai do infinito e dos horizontes. Curandeiro de amores, dono das distâncias e das saudades. Abstrato, assumes corpo no crescer das flores, na lembrança que castiga o peito, na sentença dos frutos e do adeus no leito. Do absurdo e do sensato faz lições quando convém, e adormeces pleno quando no Amor imerso. Suas inexistentes mãos sempre tem o que nos ofertar: o doce e o amargo entre seus amanhãs. Guardião dos caminhos, convite e espera. Em ti se legitimam as respostas e também as reticências. Impossível decifrar, inevitável saber. Tempo, sou todo teu e tu, inteiro meu.

(Guilherme Antunes & Milene Cristina)

terça-feira, 9 de abril de 2013

Você. Meu livro

 
Movo-me no silêncio, entre falas guardadas pela ausência da certeza. Nas janelas fechadas, abre-se meu querer indeciso complicando o simples, mudando o sentido. Convidando-me à passear onde as novidades não mais chegavam. Adoçando meu café frio, aquecendo minhas mãos, no quente lugar da descoberta. E no lamento do dia que se vai, entrego-me ao impulso de folheá-lo mais uma vez, fiz de você meu livro.

Milene Cristina

domingo, 7 de abril de 2013

Sapato baixo


Da alma imensa de pequenas coisas, detalhes necessários a Ela. Tomada de acanhamento natural, gosta de mergulho em versos que fazem doer, lembrar do que achava inesquecível. Há sempre em seus contornos, a  procura pra não se perder, oscila entre mulher e menina . Castiga-se em sua costumeira falta de habilidade em dizer não. Faz sonhar melhor, quando se deixa envolver no fim de tarde, recebendo o carinho do vento em seu rosto, o lento sair do sol destacando as nuvens, fazendo parecer cama de abraço, perfeita pra descanço, o amansar da urgência em amar ou a ausência dessa vontade. Em seu querer, labirintos em meio à um campo vasto de liberdade. Usando seu sapato baixo, segue com suas palavras anotadas por auto-defesa, da clareza de que alí se encontra, montando e desmontando o sentir.

Milene Cristina

sábado, 6 de abril de 2013

Desapego da ternura

 
No carinho de minhas mãos
em seus cabelos,
 costume.
Incontrolável permanência em você
Me atiro retirando o choro contido,
de distâncias presentes em nossos silêncios
Há em nós o desapego da ternura,
Constatação ao rolar das horas
 que imploram por não deixá-las passar
Na pouca luz do quarto,
 posso enxergar minhas urgências
Perturbando o dormir forçado,
O abraço que não quero sentir
não é mais meu..
Se faz pequeno o lugar,
Sufoca-me o espaço desocupado em mim
Deixo sobre a mesa, o papel do adeus
já subentendido em meu olhar.

Milene Cristina




Varais


Entre os varais, não só o estender de roupas lavadas em dia sem sol, enquanto torço minha blusa usada em dias tão felizes, vejo no cair dos pingos fragmentos do que vivi, do não que doeu, do abraço que confortou , da inquietação da decisão à se tomar. Vejo no secar lento, pois não há vento; a percepção de que passou o que achava ser minha vontade, e que à blusa não mais pertencia. Algo mudou em mim, da semana passada que me aqueceu do frio. Devo então doá-la, há um pedido que me vista com outros motivos, com outras cores de tons que ainda não sei quais são, mais já me iluminam só com a ideia de mudança.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Paisagem

E de seus olhos enxergar o mais belo da vida, o despertar do que adormece no medo. Trazer essa vontade à ti em se enxergar também nos meus, na transparência dos defeitos, na cor bonita das qualidades ainda por se conhecer. Perguntas leves com breves respostas. Aproveitar o tempo, os minutos à passar. Desenhando nossa paisagem, nosso céu, nosso amor.
 
Milene Cristina

terça-feira, 2 de abril de 2013

Clarice Lispector in De Amor e Amizade

 
O prazer é abrir as mãos
e deixar escorrer sem avareza
o vazio pleno que se estava
encarniçadamente prendendo.
E de súbito o sobressalto:
 ah,
abri as mãos e o coração
e não estou perdendo nada!
E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre!.
 
Clarice Lispector

Minhas asas são suas

 
E que o meu destino, faça o encontro com o seu, sem pressa, há o tempo de nós.Há em mim a certeza louca do amor guardado, sem dano algum, sou atenta ao extremo com ele. A proteção livre, minhas asas são suas. Já posso sentir o beijo, reconheço. No abraço forte a solidez da minha espera. Na alma calma, a sua a me acordar, tenho sonhado em demasia, há de se ter algo melhor que o sonho, o motivo do sonhar. És definido meu amor.
 
Milene Cristina

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Das reais bobagens (Confabulando)


Há em mim a busca clara no escuro caminho que me foi roubado, sim roubado. O amar demais, desenfrear consciente ao qual me dei. Entreguei o que achava ser o bastante, mais não havia o cessar do que apelidava amor, sugavam-me as noites mal dormidas, as brigas diurnas das semanas que se foram, tirava-me o equilíbrio do sorriso em paz, em troca devolvia-me o vazio de que iria mudar. Por vezes desejei não ter desviado meu olhar do caminho que era meu, desprezei a liberdade. Não há culpados, quem sabe o destino? Confio nele, não faria isso comigo. Talvez escolhas aliadas ao acaso, confabulando com meu jeito desastrado para o amor.
 
Milene Cristina

sexta-feira, 29 de março de 2013

Teatro


De inexistentes promessas, e a existência da ilusão que se oportuna de sua fragilidade em desconhecer-se, e o conhecer inteira de se dar em metade, não se deixando enxergar por não se reconhecer . Á tempos inventando viver pelo medo da vida, viu-se em saída "fácil" aceitar a entrega ao sonho encantado, inventar o perfeito, fazendo à seu modo os dias mais bonitos por trazê-lo ao cenário que montou.
Dirigindo sua peça de amor, escrita pela falta dele, com beijos marcados e saudades ensaiadas em exaustão. Temporada sem fim, insisti em nunca sair de cena.
 
Milene Cristina

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sem respostas


Do conhecer, só o imaginado sem desarranjo. O declarar dos segredos não revelados.  A amplidão criada na palavra lançada no coração em branco. Do amor, o encanto de amar sem saber por que amas.
 
Milene Cristina

terça-feira, 26 de março de 2013

Esperança


Me reinventar no que me é comum, aproveitando minhas faces que não se envergonham de serem minhas, fazer o secar, do que já se é seco, até levantar a poeira do adeus que liberta, cortando as arestas do desespero, do  auto-abandono. O multiplicar da esperança. Do seu verde ,várias nuances dessa força que é a última à morrer.
 
Milene Cristina

sábado, 23 de março de 2013

Prima egoísta

Sou filha do romantismo. Traços feitos de sonhos, de abandono em palavras. Tipo sanguíneo amoroso, quero sempre a calma de entendimentos. O desenrolar do destino em final feliz. Aprecio a espera sustentada por olhares sinceros, sem juras, sem cura, pois, não se foi ferida. A liberdade de dizer o que sente, sem invenções ( a convenção dos mentirosos). Às vezes saio com a paixão, prima egoísta; escolhe suas vítimas com sorriso doce, chegar discreto. De um dia pro outro invadiu todo o espaço. Dominando até a fome, normalmente à tirando do escolhido. Tirando sono, ao mesmo tempo que agrada com senhas de sorrisos no meio do dia e suspiros de saudade. Não se é mais seu, ela pega-o pra ti. Desmontando tudo, fazendo parecer amor. Mas não tem porto, vai sem avisar. Sem cartas, nem despedidas. Leva com ela promessas, o gosto do beijo, o abraço que pensava ser seu, o dia com a intensidade de um ano. É ótima em desempenhar seu papel. Então volto com ressaca de sua companhia.


Milene Cristina

sexta-feira, 22 de março de 2013

Pecados..



Hoje resolvi sentir meus pecados de perto e declarar meus desejos todos no teu colo confessionário. Sinto inveja: de ser teu sofá, tua cadeira, inveja de ser teu ar. Inveja branda de ser palavra que sai da tua boca; apenas porque tocam teus lábios. Inveja branca, orgulhosa de ser eu, teu e tão somente teu; a te encontrar nas linhas da tua vida e nas curvas do teu corpo. Porque és poesia até nas compras do mercado; enquanto arruma nossos filhos pra escola. Quando toma em silêncio o teu café. Sou pessoa mais invejosa do mundo por qualquer coisa que habita tua vida. Por qualquer paisagem em que você caminhe. E tua pele combina com as paisagens que descrevo. Sou também luxúria: por me entregar às tuas cores e sentir prazer no teu sorriso, como vício a me escolher prisão em que feliz me entrego. Por isso, quero trocar palavras por silêncio de olhares cúmplices e desejos de bem perto; banquete de sentidos a querer beijos na boca e mãos quentinhas e brigadeiro de panela. Coração meu se veste de virtudes e minha carne se enfeita de boas fraquezas a evaporar minha postura de inocente e bom moço. Por isso sou nuvem, pedindo aos teus olhos atenção por me fazer exclusivo no teu céu. Porque sem teus olhos e sem presença tua, tudo o que é e tudo o que sou, deixaria de ser por falta tua a me admirar. Sem teu saber e sem você, nada sou. Sou gula: alimentar teus sonhos e comer do mesmo prato; a querer mais e sempre mais, te devorar toda e inteira.
 
De Guilherme Antunes Pecados A Ilha de um homem só

 

Inconstante ?


Minha agonia maior seria o sentido para o que escrevo. Mas alivia-me o desconectar das palavras, sentidos sem sentido. Sentindo um mundo dentro de mim. Enredo-me na confusão do que sou, me encontrando no vazio, os preenchendo com o que em mim já não cabe. Descubro minha fragilidade quando sinto-me forte. Não aturo nada absoluto, descarto certezas, atrapalham no meu conhecer. Busco pela busca necessito em tê-la perto, tirando-me do lugar incerto da comodidade. Mudo sempre os caminhos que tracei em dias programados. Faço de mim, minha primeira surpresa esperada, movimentando minha mente parada pelo trânsito constante de palavras querendo se juntar.
 
Milene Cristina

quinta-feira, 21 de março de 2013

Fragmentos do amor I

 
 Hoje vejo que Ele é agregador de sonhos, mão encantadora, parceiro antigo da vida. Sem Ele não se vê o brilho; é se ver exilado em meio à multidão. Não reconhece sorriso, ou beleza no belo. É luta em vão, sem mãos ou braços pra se apoiar. É certeza do conhecer a tristeza, o seu contrário. O amor é o estar sem estar, é feliz em ser generoso, o abrasador de corações encontrados por Ele.

Milene Cristina

segunda-feira, 18 de março de 2013

Avassalador

 
Muito mais fácil o que antecede o acontecer amor. Escorrego sempre no passar do imaginar. Sou errante demais em equilibrar ciúme e confiança. Paciência se vai, ao piscar diferente dos olhos, nunca menos. Quero sempre o crescente, quero exagero de sentimentos, aqueles que eu escolher. Confesso, nem sempre fui assim. Fui transformada por um avassalador sentimento que passou por mim, certeza de que não foi o amor. Fui posse com meu consentimento, cheia de paredes ao meu redor, pela fresta via ao longe o começo de mim, e meu fim batendo em minha porta. Fui leviana em brincar de viver.

Milene Cristina

O amor não mais existe

 
Parece cegar-me com sua mudez, fazendo de atos repetidos meu abismo. Me deixas, sem desprender-me de ti, querendo reviver a dor, pois o amor não mais existe, e querendo o resgatar pisa na realidade .E com a maldade da negação faz de mim sua única alternativa de felicidade. Quero fugir, mais como me esconder do que fui, do que entreguei a ti. Minhas palavras saem da minha boca e mal entram em teus ouvidos, sua imaturidade as bloqueiam, bloqueando minha vida. És viciado em ter-me em suas mãos, já não as sinto mais. As mentiras suas, fez minhas verdades pulsarem mais forte em mim.

Milene Cristina

domingo, 17 de março de 2013

Do que pensava ser



Cheia de atos exigentes, vai até o fim mesmo em meio à dor, e errada segue atropelando seu coração inconstante, martelando as palavras sem sentido que desperdiça quando sem razão. Vai, se entristesse, esconde a tristeza  e desconhecida da alegria, a aluga por um dia exercendo talvez até seu lado bom, vê que o  mais árduo é aquela que foi antes do tal aluguel. Percebe o quanto é pequeno ficar só olhando pra si, descobre um mundo de pessoas sem exageros  na alma. Alí se encontra, chora em prantos de alívio, uma alternativa para o sofrer, é apresentada ao recomeço, e se desfaz do que pensava ser.

Milene Cristina

sábado, 16 de março de 2013

...

(...)  fazendo arranjos do pensar, enfeites discretos.
Sensíveis flores sem aromas de julgamento.
Só o cheiro da liberdade que se espalha em seu andar.
 
Milene Cristina

sexta-feira, 15 de março de 2013

Alegria

 
Com flor no cabelo,
 me vesti de sentimentos
 vou espalhá-los por aí.
 
Vou passando sem ficar,
companhia melhor não haveria 
Alegria  minha guia
Muitos lugares pra passar
 
Sigo enxugando lágrimas,
distribuindo abraços
 devolvendo brilho pra um olhar.
 
Dou carinho falo de mansinho,
calma mesmo que não perceba,
que não veja mais beleza em um pássaro à voar,
 
mande embora a tristeza, se arrume, vire a mesa.
 Seu amor tá pra chegar.
 
Milene Cristina
 
Sem ensaio de palavras, cantar meu amor em tom singular. Deitar em rede, singelo beijo, aproveitar o ensejo..Me declarar. E em cada feliz coincidência o reconhecer do esperado.
Pessoa, lugar, cheiro, mãos, olhar. Das mãos que escrevem.Carinho. Da boca, um breve sussurrar . Perceber que é amor e então feliz me calar .
 
Milene Cristina

Conduzindo os rios

 
Abençoado tempo que se ampliou enquanto caíam minhas lágrimas, desejei me notar.
Senti o essencial passar por mim, não movi nenhuma parte em meu corpo, pois precisava experimentar com exatidão tudo ao redor. Vi o quanto fazia do simples o mais complicado dos mundos. Minha dor me sorria, eu crédula em tudo que há, sorria de volta. Havia em cada transbordar dos meus olhos vários rios da minha vida, na maioria deles águas correndo sem mares pra se encontrar. Não falo aqui de tristeza, falo sim de clareza  revendo escolhas, talvez encontrar o mar. Conduzindo os rios...
A vida...
As lágrimas cada um em seu lugar.

Milene Cristina

quinta-feira, 14 de março de 2013

Meu roteiro falhou

Quem sabe se encontrarei ou não os pigmentos que procuro. Em meus panos comprados em sinceridade. Me cobram me prender à liberdade. Meu roteiro falhou, não conheci, não viajei. E nas esquinas que criei, eu elemento inicial. No meu compor, o amável crer, sem ele complica-se um simples caminhar. Em miniaturas vejo as expressões do meu rosto, em resumos abaixo me fazendo lembrar das inconstâncias. Enquanto me acuso, me dou o direito de defesa, reúno provas em meu favor. Me dou mais uma chance.
 
Milene Cristina

quarta-feira, 13 de março de 2013

Alguém como o sol

 
Deixo tua fala me calar. Talvez assim me escuto um pouco, quero deixar essa mania de controlar o que não se pode, me consome ser assim. Quero abraçar tudo, acabo sem abraço. Meu problema é não saber lidar com imprevistos. Tento cada vez mais incorporar o que parece aos meus olhos o melhor para meu bem estar. Ando me esquivando de perguntas repetidas de histórias já esquecidas. Sou indefesa quando amo, acho que é uma forma de me defender, me mostrar frágil.
Dói meus ouvidos, quando me diz como ser ou agir. Ouço mais não concordo, me dê sua opinião, faço dela o que quiser. Tenho paciência pra me desvendar sozinha, mesmo em dia nublado ainda sim sei que o sol está lá. Quero alguém como o sol, mesmo de longe, sempre está lá, se fazendo presente.
Meu estoque agora é de paz, por ela todas as outras coisas.

Milene Cristina

terça-feira, 12 de março de 2013

Sinais


Inclui em meu dia lembrar teu sorriso, como repetir o aquecer do sol. Apesar de tão distante do meu mundo, mais de tão profundo meu querer ando pintando você em meu viver. Na aridez dos meus dias, chega à mim teu olhar buscador, inquieto, o descobridor do desconhecido. Não quero que me deixes te conhecer inteiro, quero que os sinais me guiem. Mande cheiro, palavras, silêncio. Tenha em ti um pouco de mim.
 
Milene Cristina

segunda-feira, 11 de março de 2013

Palavras repetidas III

 
A voz antes doce aos ouvidos. Hoje barulho repetido de escolhas sem sentido. Não quis deixar minha essência. A entreguei de forma errada pra um tempo incerto , inventada história, só queria me resgatar. Sempre com essa ideia de me encontrar no outro. Nunca vi tanta loucura.
Sou atrapalhada,amorosa, exagerada nos detalhes, distraída para o óbvio. A perfeição para o erro. Sou a avessa procurando pelo certo, sempre abrindo os segredos do espelho.

Milene Cristina

sexta-feira, 8 de março de 2013

Compatível

 
Sempre fui do silêncio, pois quando falo, sai tudo o que há em minha alma. E não se pode deixar-se tão vulnerável assim. Mas o que faço se não gosto de escolher palavras, costumo ser eu, mais só entro se convidada. Não invado, chego quando necessário. Por isso observo, acumulo.
Faço da incompreensão, o momento de me mostrar. Sou complexa e simples, sonhar é minha maior realidade.

Milene Cristina

Papel em branco


Fui deixando meus pedaços pelo caminho.
Fui metade, fui inteira.
Hoje tento a reconstrução,
um lado novo em mim.
Sou melancólica,
 meu maior defeito!
Gosto de antigos papéis, antigas músicas
 e o que sinto quando as ouço,
 apegada em antigos hábitos.
Até do desapego repentino.
Viciada em palavras, e no tom que são ditas
Sou amiga da saudade, me acostumei
em tê-la comigo
Muitas vezes sou ingênua
Deixo-me pequena
Deixo situações me engolirem
Depois as transformo
Quis ser professora
sonho de criança
Fui ser voluntária
dar amor é receber
Gosto de cores, de novos amores
de inspiração
Da escrita sem razão
preencher papel em branco
em pranto, em verso
alegria
passando os dias
inventando o amor.

Milene Cristina

Cora Coralina

"Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
... renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.
Creio na força imanente
que vai gerando a família humana,
numa corrente luminosa
de fraternidade universal.
Creio na solidariedade humana,
na superação dos erros
e angústias do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher tudo fácil.
Antes acreditar do que duvidar."

 
Cora Coralina
Fonte:Elfi Kürten Fenske

quinta-feira, 7 de março de 2013

Vãs
todas as coisas que vão.
 
Paulo Leminski

Por enquanto



Fabulo o amor que espero, incluo dos que tive aparo montando castelos, me vendo em sonho real. Focalizo nas imagens pintadas com o melhor carinho que tenho à mão. Flutuam os abraços, no chão os pés da procura em seu ponto de chegada. Faço explícita a vontade do beijo, explorando o sentir do momento. Desinquieta deixo as palavras livres, tomando seu lugar, fazendo sólido o imaginar. Posso sair ou permanecer, por enquanto escolho ficar.

Milene Cristina

quarta-feira, 6 de março de 2013

Eu e a ilha

 
Seguindo os escritos
Deparei-me com uma ilha
me senti pequena
talvez por sua imensidão, como me tomasse pra ela
Um mar com cores fortes
Podendo tudo se enxergar
Decido por mergulhar
Num mergulho despido de medos ou receios
Senti as dores
as esperas sem chegada
Ou até saudade boa de sentir
Com amores suspirei
Muitas vezes acalmei meu coração desalinhado
Sempre em sentido contrário
Navegando em barco leve..
 desprotegido
O escrever. Minha terra firme
Percebi que sozinha na ilha
Acompanhavam-me as palavras
 não me deixando afogar.

Milene Cristina

terça-feira, 5 de março de 2013

Apelo


Nas mãos carinho,
passarinho aprendendo a voar
Nos braços, proteção..calor
o pulsar do peito, a certeza do lugar

No olhar, alegria, como o nascer de um novo dia
fazendo tudo ao redor mais claro e bonito
No corpo a vontade de estar em dois
nada por passar, nada pra depois

Coração... Esse sempre sem razão
entregue, cheio de espaços
pronto pra serem preenchidos
bagunçados
A organização dos apaixonados

Toma-o pra ti
não tenho medo
o meu apelo
é por me amar.

Milene Cristina

segunda-feira, 4 de março de 2013

Encontro

No nosso enlace, não precisaram palavras, tudo ao redor falava por nós. As folhas levantadas pelo vento eram nossos passos e o mesmo vento nos abraçava com leveza. Avistei de longe quem tanto esperava, fazia meu caminhar bem lento pra que não perdesse aquele momento, ao mesmo tempo o apressava, solidão finda, o encontrar de bocas, de abraços, o olhar perto mergulhados um no outro. O parar do tempo, e um novo ponteiro no relógio de nossas vidas.

Milene Cristina

sábado, 2 de março de 2013

Caminho certo

Clara noite, expedição escura em meu ser, nesse processo raízes produtivas outras sem cultivo.
Me vejo quase como um milagreiro, em meio ao breu, cruzando as matas fechadas dos sentimentos. Passo pelos zumbidos assustadores dos insetos inseguros. Faço-me  estátua pra que não me vejam os animais selvagens da raiva, do ciúme. Vou indo com uma mochila esperançosa, cheia de primeiros socorros para a tristeza ou solidão. Vou cortando as ervas daninhas da desilusão..Do desamor. Decido por um instante de descanso, me banho no rio claro do olhar de mãe, e volto a me explorar. Vou seguindo. Já não está tão escuro.  Consigo avistar os pássaros cuidando de suas moradas nas árvores da alegria, invade meus olhos os raios de sol do perdão, tudo melhora ao redor.
Chego em uma estrada de terra, longa..Não se vê seu final, apenas placas de avisos, me parece sempre estiveram por alí. Indicando: Caminho certo, vá em frente...Siga seu coração.

Milene Cristina

Soneto a quatro mãos



Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano

Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

 Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos

 Fonte: A Magia da Poesia_ Vinícius de Moraes Poemas de amor à mulher

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Saídas


Encontrar as respostas pra mim já tentei, marco encontros com meu destino, quase sempre chego atrasada. Lá parada no trânsito, com amores que me tiram o equilíbrio.
Sempre tentando difundir minha fé no amor, mudo o tom, me armo com a confiança;
Nessa dança louca de se entregar, se deixar em outro, ficar repleta de dúvidas e certezas
Replico, digo, completo, deixo vazios, faço transbordar. Se estou em janeiro, me sinto em setembro, enxergo flores por todos os lados. Há saídas em todo lugar.
 
Milene Cristina

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013


Delicada tarde , agradável chamar à vida
Vento constante me dando conselhos
Instantes suspiros, vontade de amar
Nuvens passando os apelos do tempo
Admiro tudo, até mesmo o silenciar dos movimentos
Tiro fotos congelando o que senti, vou relembrar
Estou sem estar, me envolvo na tarde
E volto pra mim.
 
Milene Cristina

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Eu sei, mas não devia


Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. A gente se acostuma à morar em apartamentos de fundos e ao não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E por que não tem vista, logo se acostuma à olhar pra fora. E por que não olha pra fora logo se acostuma à não abrir de todo as cortinas. E por que não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
 
Marina Colasanti

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Silêncio



Me calo, é nessa hora, no silêncio que me enxergo. Somem as dores e os cartazes que em vão erguia dizendo: Olha aqui sou eu! A mais confusa e romântica  desprendida de amores, contraditória e perfeccionista. Alívio!! Nessa pausa, consigo me pintar feliz. A simplicidade vem, se encosta em minhas costas, nós duas juntas silenciando tudo, sorrindo, conversando em pensamento sobre o tempo e como é bom estar alí.E uma voz lá no fundo, piscando em luz vermelha, realidade chamando. Recolhemos o anseio do não estar, voltando pra barulhenta vida.

Milene Cristina

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Juntos




Juntos nós contando as luzes, passos leves,
o contentamento do teu sorriso, o meu já natural ao teu lado.
O meu perfume que o vento leva, traz o seu pra te lembrar
Depois dos beijos...do olhar
Dos abraços de um dia bom em seu terminar
Não seria exagero dizer saudade
Ansiedade insisti em chamar
Pra passarmos  novamente um no outro
Passearmos pelas ruas alegres do nosso querer
Dizer bobagens, e se algo sério vier, que venha junto o entender
Seguindo amigos, amantes..amando.

Milene Cristina


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mais uma de saudade


Deixaste escrito saudade em meu peito,
E as palavras doces de um futuro pra nós
Sigo com sua imagem em meu pensamento,
 alento...sossego inquieto;
Vontade de estar, vontade que esteja
Hoje, promessas soltas vieram me visitar
Trazidas pelo vento, da força do que foi sentido
Vivido, da mistura que fizemos de nossas vidas
Confundiram-se,nos perdemos encontrando o amor.

Milene Cristina




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Luz antiga

As palavras


As palavras são meu refúgio, a hora em que posso ser eu dizer realmente o que sou, o que quero.Talvez pra alguns pareça um modo solitário de se expressar, mais não..As palavras e o sentido delas me fazem sentir completa.É com as palavras que me esvazio de pensamentos ruins e bons, esvazio minha mente, e ao escrever posso olhar de cima meus desejos.. minhas vontades.É assim que me sinto calma e confiante.Mesmo quando não tenho vontade nenhuma de escrever, ainda sim escrevo.
Escrever faz meu coração se acalmar.
 
Milene Cristina

Transforme



Do encontro primeiro restam apenas o silêncio
Um fim de tarde no fim da primavera
Palavras curtas sem sentido algum
Olhar não mais profundo, querer não mais presente
Sorriso como de quem quer logo fechá-lo
Queria poder florir tudo outra vez
Mania de insistir, teimosia sem razão
Me apego ao tempo, amigo de todas as horas
Ele sim pode florir, fazer chover
Trazer o sol, ao mesmo tempo que passam nuvens
Me devolvendo as palavras, que por um tempo o silêncio levou
Tempo bom, fique, passe, transforme.

Milene Cristina

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Pequena reflexão de aniversário

 
Mais um ano de vida, nascendo de novo, mais um acreditar de Deus.
 Uma parada para reflexão;
Penso em mudar muitas coisas, colorir outras,
 apagar , mudar por dentro, encontrar, me perder;
Entender meus porquês, dar respostas ao tempo que ainda tenho,
 realizar, encontrar;
Seguir minha essência,
 dando essência ao que ainda posso ser.

Milene Cristina

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Reinventando cantigas de roda

 

Mãos dadas entrelaçados dedos,
entrelaçando vidas noite boa de se namorar .
Lembro-me bem dos mesmos dedos
nas cantigas de roda de quando menina,
vida mais leve, ingênua alegria ;
Pula corda, entra na roda fazendo sonhar.
Hoje pula medos, dá volta em saudade
entra e sai na roda do viver.
Não pega mais flores pra pôr no cabelo,
pois já não as vê por aí.
As cores mudaram,
os perfumes não são os mesmos.
Reinventando tenta seguir.

Milene Cristina

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Pouso

                        
Nobre amor tome seu lugar,
me invada, não me deixe à esperar
anseio à tanto o teu chegar,

Tentei por várias maneiras chamar tua atenção
Sinais mandei,
Calei, pra ver se chegava cheio de intenções
Falei, como se de tanto querer, vinhas ao menos me ver

Sorri, pois sei que és o primeiro sintoma de ti
Chorei, pra se compadecer de mim e vir me consolar

És sábio, fez-me tanto fazer pra mostrar
 que és chegado sem espera, sem perguntas,
 sem respostas, dia ou sol
És feito Rouxinol que canta encantando
Voando e sabendo onde irá pousar.


                                    Milene Cristina
 
Amar: Fechei os olhos para não te ver e a minha boca para não dizer...E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei e da minha boca fechada nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei...O amor é quando agente mora um no outro
 

                                                           Mário Quintana

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Não sei

 

(...) Cala pra fora o que por dentro grita.
Evita, se esquiva de seu olhar
Queria amar, ainda quer amor
 E o olor de estar em dois
Gosta de abraço, e quem se queixa de carinho?
Quer vida, quer luz, quer sentido
Só aprendeu à se dar, não sabe receber
Se espanta
E segue com um mantra
Não sei corresponder.

Milene Cristina

Reflorescer

 

No alvorecer do meu pensar
Faço amável o amarrotar
 dos racunhos de minha vida

Me vejo serena
Em alguns momentos oscilo
Paro, respiro

Reconheço meu parentesco com o remoinho
Rejuvenesço a alegria dentro de mim
Indo pro recreio das palavras.

Milene Cristina

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pensamentos Do agora



Ventando agora, a nuvem que passa. Pingos lá fora
Acalma o calor, devolve..retira
Janela aberta, daqui vejo árvores dançando..(delírio)
 e os pássaros à voar,
Mostrando como é leve e necessário o viver
Simples. E o que me faz complicar?
A vertigem do medo
Do não acerto, do certo que pra mim é o errado
A inocência do querer ser livre
Mais um delírio que tive
Me faço poema pra ser amor
Com ele nada posso temer.

Milene Cristina

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

(Re)Encontro

 
 
Me lanço no fundo de mim
E profundos são os que me compuseram
Encontrei os começos
Revisitei meus atalhos
Enxuguei minha lágrima de criança,
sorri com meu sorriso adolescente
Vi rostos já apagados pelo tempo
Quase não os reconheci
Fiz companhia quando me vi só
Olhei  pra céus de vários tons
Várias estações em um só minuto
Sou o que era, e muito mais diferente.

Milene Cristina


Ouve o girar


Vem me chame,
não grite, nem reclame
Entre em meu pensamento

Me tome
E que eu o toma bem devagar,
 à cantar sigo o seu cheiro
O mesmo que me veio quando do primeiro olhar

Cheiro do apaixonar, do sonhar sem nenhuma culpa
Amor me escuta, ouve o girar da minha vida depois de você
Exerce em mim seu melhor lado

Não fique calado por minhas palavras sinceras
Minha alma tem pressa de estar calma
O meu mundo quer se juntar ao seu.

Milene Cristina

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Devaneios III



Quero deitar em cama feita de algodão
Ouvindo a melodia da natureza,
vários cantos de pássaros
e o sussurar do vento à me acalmar
Colher frutas preferidas e da mesma árvore que nasça cartas de amor
Pra que eu leia debaixo de tua sombra
Sonhando, imaginando amar
Traduzir tudo isso em meu olhar, em minhas mãos à carinhar
Amar, amar e quando passar mais uma vez amar.

milene cristina

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Decidi decidir

 
Decido por roupas leves, palavras como breves brisas de verão.Decido por cabelos soltos, portas
abertas para as coisas belas que a vida tem pra mim.Decido pelo sim em momentos difíceis, por solares abraços e flores enfeitando meus espaços, distraindo, colorindo minha solidão.Decido não olhar pro passado com nostalgia e ingratidão, mais também não vou olhar pro futuro com pensamentos de lindas paisagens, mais tão e somente uma ilusão. Decido pelo agora, e tudo que há lá fora, me pedindo pra sair, fluir minha vida e dos que me incluem em suas histórias, jogo tudo o que me impede de decidir, me afasto do que insisto em não me despedir, se preciso for entrego meu amor mais profundo, pois fizeste eu perder meu mundo, mais desembaçou meus olhos pra me olhar e decidir por me amar.

Milene Cristina

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Esperança


(...) a esperança não me deixou, sinto ela pulsando em meu peito, fraquinha é certo, mais ainda está
em mim.Também não posso deixá-la, sempre fiel, me chamando à atenção, me dizendo acalme seu coração, não esmoreça, deixe de lado o não. Olhe pra mim, nunca me canso, e no balanço seu, me mantenho firme, te levo comigo, sou abrigo de portas abertas, liberdade amorosa. Sou prosa, verso..palavra.Sou espera alegre, posso ser passagem breve, mesmo assim permaneço, não, não me envaideço, apenas reconheço sou esperança.

Milene Cristina

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A rosa e o que ela me traz

 
Enquanto coloco a rosa em seu vaso, 
desfaço meus laços amarrados por você
Chego  compreender, o quanto sou confusa,
vivendo em busca de mim. Não te dou espaço,
 é eu sou assim.
Totalmente entregue ao destino,
mais sempre o questionando.
Tropeçando em meus passos,
recebendo abraços recém chegados,
me afastando de quem sempre esteve comigo.
Me sinto tola em muitas vezes absurdamente meu lado certo.
Refino palavras ditas sem pensar, fico , faço um acordo com a insensatez
Aceito mais uma vez dar chance ao meu incorrigível jeito de amar.

Milene Cristina

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Tic Tac

 
Olhando o relógio admiro o tempo
O ponteiro de minuto em minuto
Tic tac coração apressado, vida passando
Horários exatos e o que faço com eles?
Demore mais um pouco, e os segundos feito loucos disparam
Vários sorrisos acontecem, encontros breves, o sol à se pôr
Se olho pra hora, não vejo ao redor
E como é lindo o tempo
Sem perceber o que é já foi
Vem chegando, vai partindo
Se faz descobrir, em estrelas aos poucos surgindo no céu das oito
Acrescentando, retirando, das pessoas e seus tempos corridos,
Alguns melancólicos, outros praticamente contados no cronômetro
Pra que tudo caiba, mesmo querendo ficar, ou passar no espelho e se olhar
Tempo espere! Sei que não ouves pois não podes parar.

Milene Cristina

sábado, 26 de janeiro de 2013

Colorindo o construir

Colorindo sonhos
Construindo palavras
Amargas lembranças, também me ajudam no querer
Reviver momentos nas fotos antigas
Já nem mais amigas as que abracei
Me peguei num instante de calmaria
Dentro de mim uma catedral
Calma e antiga, silenciosos momentos
Na imensidão de meus pensamentos
Fui pra longe, onde o que é bom se esconde
Para não se encontrar com o mal
Nas ladeiras do sofrer, encontrei a rua do viver
Cadenciei meus quereres
Persisti em mim
Continuei meu caminho
Continuei a sonhar
Continuei a amar.

Milene Cristina

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Devaneios II

 
Posso ir à lua com os pés descalços
E descer pulando entre as estrelas,
 me enchendo de docinhos até enjoar
Paixão é assim, não se vê começo ou fim
É apenas um estado, onde temos o mundo à nosso favor
E o pensamento? Ah como voa
Enquanto meu olhos estão com os seus
Coração entregue
E acordar do sonho?
Vou deixando pra depois.

(Milene Cristina)